domingo, 29 de novembro de 2015

Casarão mal assombrado de Água Verde - Guaiuba/Ceará.



Por João Artur.

Casarão localizado no Distrito de Água Verde no município de Guaiuba.  As margens da 060-CE, 41 quilômetros da capital cearense. 

Guaiuba fica na Região Metropolitana da Grande Fortaleza. Tem uma população estimada em 24.091 habitantes, segundo o último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas – IBGE. Água Verde é um dos Distritos. Os demais são Itacima, Dourado, Baú, São Jeronimo além da Sede do Município.

O casarão foi construído no Século XIX,  de estilo neocolonial, mas que ao longo do tempo sofreu modificações em relação a sua construção original. É bem ampla e espaçosa com dois pavimentos com  vista para o Maciço de Baturité.

O casarão é centenário. No alto pode-se observar uma grande cruz. Formada em dois pavimentos. No primeiro piso, as divisões são bem definidas: salas, quartos, cozinha, etc. Já no segundo piso é possível encontrar uma infinidade de portas, janelas e corredores curtos e baixos com pequenas aberturas para passagem da luz e de ar; portas e tetos são tão baixos que pessoas só têm acesso se agachados.

A residência pertencia à família do Senhor Durval, o primeiro dono que era de família tradicional. Depois de sua morte os seus parentes tomaram de conta. Naquela época costumava-se enterrar os seus parentes no terreno. Era costume de muitas famílias poderosas desse período, criar um cemitério particular próximo da própria casa.

Alguns relatam que no casarão havia uma senzala nas proximidades, mas não se tem um estudo que comprove o fato. Muitos associam a possível existência de uma senzala no local, devido a proximidade da Cidade de Redenção, onde muitos historiadores apontam como sendo a primeira cidade do Brasil a alforriar seus escravos, quatro anos antes da Lei Áurea (1888).

Segundo relatos locais, o seu último proprietário faleceu no local, e desde então o casarão ficou abandonado por muitos anos. Há relatos de pessoas que testemunharam eventos paranormais na casa.

Uma testemunha que não quis se identificada nos relatou um fato interessante ocorrido na casa.

“(...) Numa noite vi a casa envolta num incêndio que durou toda a noite. De manhã, fui até lá para avaliar os estragos, e constatei que não havia incêndio algum, tudo estava como antes”.

Através desse e de outros relatos, é possível perceber que o casarão ganhou no imaginário popular como sendo uma casa mal assombrada. Não tem esse que por lá não passe e não indague: “olha a casa mal assombrada!” É assim, de estória em História, que se forma em torno do casarão, a ideia de assombrada e misteriosa.

Gritos, lamentos, vozes, sussurros, choros de crianças, gargalhadas assustadoras; portas batem, janelas fecham, luzes se apagam e correntes se arrastam. É o relato daqueles que conseguiram por pouco tempo permanecer na casa.

Há depoimentos de quem morou por lá e diz que os “fatos sobrenaturais” ocorridos realmente são verdadeiros e que ocorrem sempre à meia-noite, meio-dia e às 18:00 horas.

Miguel Coelho, uma auxiliar de enfermagem que viveu no casarão no ano de 2010, narra histórias assustadoras ocorridos na casa, devido os acontecimentos, o mesmo só permaneceu cerca de três meses no local. Miguel teve o seu depoimento gravado até na Rádio Rede Escola Portal da Serra do Centro de Educação, Arte e Cultura de Guaiuba.

“No primeiro mês foi tranquilo, mas a partir do segundo mês apareceram coisas estranhas como vozes de homens e mulheres chamando o meu nome. Eu respondia e não aparecia ninguém”.

O mesmo Miguel, de formação católica, e que não crer na volta de espíritos para a terra dos viventes, ou seja, na doutrina espirita, nos conta que “viu um homem de seus 40 anos, por voltas das 18:00 horas da noite, passar pela casa e sumir”.

Para ele “tem algo que os antepassados enterraram  nas proximidades da casa, como moedas de ouro e prata, e deve se por causa disso que surgem essas coisas estranhas”.

Atualmente os herdeiros do casarão são os irmãos Waldir Cavalcante e Silvia Cavalcante. O senhor Waldir, não demostra temor em morar na casa e planeja, após o término do inventário do imóvel, pretende restaurar e ficar residindo na mesma.

Em 2013-2014 devido a duplicação da 060-CE o Governo do Estado do Ceará, teve que fazer um desvio, deixando o casarão no meio, entre as vias, preservando-a. Dizem algumas pessoas da comunidade que os engenheiros foram atormentados em sonhos para que não demolisse o casarão. Será?

Hoje completamente abandonada, são outras vozes que soam naquele casarão, são as vozes da droga, da violência e da prostituição, que assustam a comunidade local. Com isso, é possível concluir que não são os mortos que nos assustam, mas a ação dos vivos que por lá residem.


Fontes Consultadas

Site Fortaleza em Fotos
Blog Noite Sinistra
Arquivos do Insólito
Arquivos da Tribuna do Ceará

Fotos dos Arquivos de: Rodrigo Paiva (Fev. 2014), Aragão, Evanildo Freitas, Luiz Joacir, Coisas de Cearenses, Herlanio Evangelista, Blog Assombrações, e Alice Bessa.


















                                Foto: Rodrigo Paiva - Fortaleza em Fotos e Fatos


                               Foto: Rodrigo Paiva - Fortaleza em Fotos e Fatos


Foto: Rodrigo Paiva


Foto: Rodrigo Paiva


Foto: Luiz Joacir 

Foto: Rodrigo Paiva


Foto: Luiz Joacir 


                                Foto: Rodrigo Paiva - Fortaleza em Fotos e Fatos










































Foto: Alice Bessa


sábado, 28 de novembro de 2015

A contra-cruzada islâmica do III milênio: ruma à conquista de Roma.


                                    As Cruzadas visaram recuperar a Terra Santa
                                    invadida, pilhada e profanada pelo islamismo.
                       Hoje a ofensiva do Islã visa a Cristandade e a Cidade dos Papas


Academia Virtual de História em parceria com o Blog As Cruzadas traz uma matéria interessante sobre o Estado Islâmico e a contra-cruzada em prol de se chegar no coração da Europa - Roma.

O leitor e seguidor poderá compreender um pouco mais dos objetivos dessa guerra, que para muitos já é considerada a III Guerra Mundial. 

Luis Dufaur idealizador do "Blog As Cruzadas", define esses cruzadas assim:

"As Cruzadas visaram recuperar o Santo Sepulcro de Nosso Senhor Jesus Cristo invadido, pilhado e profanado pelo invasor islâmico.
Em sentido contrário, houve naqueles séculos contra-cruzadas islâmicas que exigiram grandes gestos de heroísmo por parte dos Cruzados.
Mas hoje, no III Milênio, pegando de surpresa o Ocidente amolecido por um falso pacifismo e um não menos falso ecumenismo, apareceu uma imensa contra-cruzada.
Ela invade Europa e visa um grande objetivo: ocupar a cidade de Roma, o coração da Igreja e da Cristandade para matá-las, se isso fosse possível, com um furor satânico!"

Outro que também fala sobre estarmos vivendo uma possível III Guerra Mundial é o catedrático de História Dr. Roberto de Mattei. 

Confira na íntegra o que Dr. Roberto Mattei falou sobre o assunto.


A terceira guerra mundial

No regresso de sua viagem à Coreia, em 8 de agosto do ano passado, o Papa Francisco declarou que “já entramos na Terceira Guerra Mundial, só que agora se combate fragmentariamente, por capítulos”.

Uma guerra mundial quer dizer uma guerra estendida ao mundo inteiro, uma contenda à qual não pode escapar qualquer nação ou povo. 

Mas trata-se nessa ocasião de uma guerra fragmentada, porque os atores que intervêm não são apenas os Estados, as superpotências, como nos tempos da Guerra Fria. 

Naquela época, guerra mundial significava o perigo de uma guerra nuclear entre os Estados Unidos e a Rússia: um conflito entre dois colossos, que inevitavelmente teriam arrastado consigo nações menores dentro de suas respectivas esferas de influência. 

Hoje em dia nenhuma dessas superpotências possui o poder que teve em outros tempos.

O império soviético desabou, mas também o norte-americano atravessa uma fase de crise. Simbolicamente, ele começou a declinar em 2001, quando as Torres Gêmeas se desmoronaram, deixando visível a vulnerabilidade desse império. 

Com efeito, a crise irrompeu depois das guerras do Afeganistão e do Iraque, as quais constituíram um erro, antes de tudo por não terem sido guerras vitoriosas, e para uma potência de pretensões imperiais, uma guerra não ganha deve ser considerada uma guerra perdida.

Também a Europa perdeu uma guerra: a da Líbia, em 2011. Gadafi foi derrubado, a Líbia se precipitou no caos e o Estado Islâmico conseguiu instalar uma posição avançada no golfo de Sirte. 

Queimando igrejas. A III Guerra Mundial está virando um conflito universal
tocados por grupos cujos arquétipos são o terrorismo islâmico


Uma imensa cratera vulcânica se estende atualmente entre as costas líbias, a periferia de Alepo, na Síria, e a de Bagdá, no Iraque; um vulcão cujas erupções não têm sua origem nas forças cegas da natureza, mas nos terríveis erros cometidos pelos Estados Unidos e pela União Europeia.

Trata-se de uma guerra civil de extensão mundial, porque é uma guerra ideológica e religiosa que se combate em todo o planeta, cujo alcance somente agora começamos a compreender. 

A primeira expressão – embora não seja a única – dessa contenda é o islã. Não devemos considerar o islã um inimigo que ameaça a Europa apenas de fora. 

Além de tê-la circundado, ele já está dentro. 

O islã penetrou na Europa graças ao terrorismo, que ainda não explodiu com toda a sua potência, e também graças às massas de imigrantes que a invadem segundo um plano claramente programado. Os imigrantes clandestinos não fogem da guerra, mas a trazem para a Europa.

A partir dos anos noventa, ficou claro que o islã, na sua escalada para a conquista do continente europeu, segue duas linhas estratégicas. 

Uma é a “linha dura”, ou seja, a jihad do islamismo radical, que deseja obter a hegemonia mundial através da guerra e do terrorismo, e cuja expressão mais extremada foi durante muitos anos a Al Qaeda, o movimento de Bin Laden. 

A linha “suave”, o chamado “islã moderado”, se manifesta antes de tudo pela imigração e pela demografia. s Irmãos Muçulmanos e, na Itália, as Comunidades e Organizações Islâmicas (UCOII), são exemplos dessa estratégia de expansão, que atua dirigindo as mesquitas, as escolas corânicas e os centros de ensino islâmico.

Esse ataque ao Ocidente através de duas estratégias complementares teve, de um ano para cá, uma repentina aceleração.

A linha jihadista deu um salto quântico, passando da Al Qaeda ao Estado Islâmico (ISIS ou, em árabe, Daesh). 

'Migrantes' na Europa cumprem um dever de conquista pregado pelo Islã

Assistimos em um ano ao nascimento e desenvolvimento de um estado islâmico que tem como fim declarado a reconstituição do califado universal que, como explicou a maior especialista em temas islâmicos, Bat Ye’Or, não é um sonho dos fundamentalistas, mas o objetivo de todo verdadeiro muçulmano.

Mas o fenômeno de aceleração é mais característico da linha jihadista moderada. A imigração se transformou numa invasão maciça e, ao que parece, incontenível da Europa.

Em conjunto, apenas no mês de julho, 107.500 imigrantes clandestinos chegaram ao solo europeu, mais do que o triplo de julho do ano passado. Os pedidos de asilo alcançaram em um ano, somente na Alemanha, a cifra de 800.000. 

A impotência dos governos europeus não revela a incapacidade deles, mas antes a cumplicidade com o plano de islamização do continente. 

No encontro de Rimini de agosto último, o padre Douglas Al Bazi declarou que o Estado Islâmico não é uma degeneração, mas o islã autêntico; islã autêntico e ao mesmo tempo político, que está alcançando o poder por meios democráticos. 

Trata-se do anverso e reverso de uma mesma terrorífica medalha, de duas estratégias complementares de uma mesma máquina de guerra. A Eurábia é um projeto que tem como objetivo dividir a Europa em duas: a Europa latina e católica, formada por Espanha, França e Itália, cairia sob a influência islâmica. 

O caos econômico e social poderia transtornar essas nações e, num clima de instabilidade, o terrorismo se associaria à rebelião das novas massas islâmicas. 

Uma nova cortina de ferro dividiria a Europa protestante do norte, sob a influência alemã e anglo-americana, da Europa arabizada e islamizada do sul. 

É somente a partir dessa perspectiva que se pode entender a alusão cada vez mais frequente à conquista de Roma. “Líbia é a porta para se chegar a Roma”. 

Assim se denomina a nova campanha de terror do Estado Islâmico na Líbia, que publicou no Twitter uma série de imagens mostrando a Cidade Eterna em chamas, sobreposta a um mapa da Líbia com a bandeira negra do Califado. 

Na mensagem tuiteada por um combatente do Estado Islâmico, Abu Gandal el Barkawi, os jihadistas são chamados a “ir a Roma, ou Romia, passando pela Líbia, que é a porta de acesso a Roma”. 

Na sua mensagem, Barkawi acrescenta: “Os exércitos otomanos se lançaram e sitiaram Roma, após terem conquistado a Líbia no sul da Itália” (Ansa, 25 de agosto de 2015). 

Uma das capas do pasquim do Exército Islâmico apresenta Roma "conquistada" pelos terroristas corânicos
Uma das capas do pasquim do Exército Islâmico
apresenta Roma "conquistada" pelos terroristas corânicos
Não se trata de afirmações isoladas. 
 É o mesmo objetivo anunciado há mais de dez anos pelo imã Yusuf al Qaradawi, principal representante dos Irmãos Muçulmanos, o qual, após ter dirigido a “primavera árabe” no Egito, foi condenado à morte, embora ausente, pelo tribunal penal de Cairo em 16 de junho passado. 

Qaradawi é o presidente do Conselho Europeu de Fatwa e Investigação, com sede em Dublin, ponto teológico de referência das organizações islâmicas vinculadas aos Irmãos Muçulmanos. 

Suas ideias, difundidas pelo canal de satélite Al Yazira, influenciam um setor considerável do islã contemporâneo. 

Para os Irmãos Muçulmanos, bem como para o Estado Islâmico, o objetivo final não é Paris nem Nova York, mas a cidade de Roma, centro da única religião que o islã procurou destruir desde o seu nascimento.

O objetivo é Roma, porque a guerra que está sendo travada, antes de ser econômica, politica ou demográfica, é, como sempre, religiosa. 

Porque foi de Roma que saiu a força moral que derrotou o islã, em 1571 em Lepanto e em 1683 em Viena. 

O verdadeiro inimigo não são os Estados Unidos nem o estado de Israel, que não existiam quando o islã chegou às portas de Viena em 1683, mas a Igreja Católica e a civilização cristã, das quais a religião de Maomé não é senão uma diabólica paródia. 

O Papa Francisco não é São Pio V, mas Roma continua sendo o coração do mundo, o centro do Cristianismo, cuja força reside em Jesus Cristo, Aquele que fundou e continua a guiar a sua Igreja. 

Devemos entender o que Roma significa para o islã. E, sobretudo, compreender o que Roma deve significar para nós. 

Nesta guerra de nível planetário, a vitória só poderá ser obtida através da força religiosa e moral de Roma.

Roberto de Mattei
(1948 - )
professor de História italiano,
especializado nas ideias
religiosas e políticas no
pós-Concilio Vaticano II.


quarta-feira, 25 de novembro de 2015

ATUALIDADE - Turquia derruba um caça russo na fronteira com a Síria.


Um F16 turco




Turquia derrubou na terça-feira um caça vindo da Síria por violar seu espaço aéreo, em um incidente que ocorre em meio ao aumento da tensão do outro lado da fronteira turca e com constantes advertências do Governo de Ancara para que os aviões russos e as forças do regime sírio detenham seus ataques à região turcomana de Bayirbucak, em poder da oposição síria. “Por volta das 9h20 (3h20 de Brasília) de 24 de novembro, um avião de nacionalidade desconhecida violou em repetidas ocasiões –dez vezes em um período de cinco minutos– e apesar das advertências feitas no espaço aéreo turco, na altura da localidade de Yayladagi (província de Hatay)”, explicou o Estado Maior das Forças Armadas da Turquia em um comunicado: “Por isso e atendendo às normas para entrar em combate, dois de nossos F-16 que se encontravam na área dispararam contra ele”. Uma facção rebelde de nome Alwiya al-Ashar divulgou imagens do corpo de um dos pilotos. O outro também estaria sob custódia do grupo.

Fontes do Governo e da Presidência da Turquia, citadas pela imprensa local, disseram que o avião derrubado era um SU-24 de fabricação russa e utilizado pelas Forças Aéreas desse país na campanha de bombardeios em apoio ao regime sírio. O Ministro da Defesa russo, citado pela agência de notícias RIA, confirmou o fato, mas negou que seu caça tenha violado o espaço aéreo turco. “É algo muito grave, mas sem ter toda a informação, é impossível e incorreto dizer alguma coisa”, disse depois o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.

O presidente Vladimir Putin classificou a derrubada do avião militar como uma "punhalada nas costas" e negou que a aeronave tenha invadido o espaço aéreo turco. Putin também rechaçou que o caça representasse uma "ameaça" para a Turquia. O ministro dos Exteriores russo cancelou a visita que faria ao país nesta quarta-feira, segundo a France Press.
O Executivo turco se reuniu em caráter de urgência e prepara um comunicado para informar seus aliados da OTAN e as Nações Unidas sobre o incidente. A Aliança Atlântica informou que está em contato com Ancara para acompanhar o incidente de perto.
O caça caiu, envolto em chamas, cinco quilômetros para dentro do território sírio e é possível ver seus dois pilotos saltarem de paraquedas, mas não se sabe se sobreviveram. Dois helicópteros russos foram utilizados para tentar encontrá-los, mas pelo menos um caiu nas mãos de combatentes turcomanos.
Há dez dias, o regime sírio, apoiado em terra por milicianos iranianos, e por mar e por ar pelas Forças Armadas da Federação Russa, lançou uma ofensiva para tomar a montanhosa região de Bayirbucak, localizada ao sul da província turca de Hatay e habitada majoritariamente por turcomanos ligados à oposição síria, mas infiltrados por grupos jihadistas como a Frente al Nusra, segundo denúncias de Damasco.
“Enfrentamos intensos bombardeios, como não havíamos sofrido em quatro anos de guerra”, explicou ao EL PAÍS Yusuf Mahli, dirigente do Movimento Nacional Turcomano (TMHP) e da Coalizão Nacional Síria, que agrupa a maior parte dos opositores a Bashar al-Assad. Mahli, que está refugiado na Turquia, mas mantém contato com os milicianos turcomanos na região, afirma que é um “combate desigual”: “Os nossos possuem somente armas leves e enfrentam bombardeios por terra, mar e ar”. Nos últimos dias, as forças leais ao presidente sírio conseguiram conquistar vários povoados ao sul da região em disputa (Ghmam, Zuveyk e Derhanne) e, na manhã de terça-feira, a rede de televisão CNN-Türk informou que os turcomanos perderam mais três colinas. Os combates são, de fato, visíveis do lado turco da fronteira.
Local onde ocorreu o incidente.
O avanço do regime sírio causou uma nova onda de refugiados –3.000, segundo Mahli– que foram abrigados em tendas de campanha na Turquia. O primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoglu, avisou no final de semana que o Exército turco “recebeu ordens de responder a qualquer fato que possa ameaçar a segurança fronteiriça”. “A prioridade na Síria deve ser o Estado Islâmico (EI) e esses grupos não são o EI, mas rebeldes moderados. Nossa preocupação é que se a Rússia e o regime sírio continuarem atacando a oposição moderada, esta será substituída pela EI e dessa forma a frente anti-EI ficará enfraquecida”, denunciou uma fonte do Governo consultado pelo EL PAÍS.
O regime sírio e até mesmo órgãos de oposição como o Observatório Sírio de Direitos Humanos, denunciaram a presença de militantes da Al Nusra (Al Qaeda na Síria) entre os militantes turcomanos do monte Jeb al-Ahmar (Türkmen Dagi em turco) e várias fotografias desses grupos mostram combatentes de aspecto jihadista. Mahli, entretanto, nega: “São grupos ligados ao Exército Sírio Livres, podem existir alguns de tendência islâmica radical, mas não são jihadistas. De fato, as últimas forças da Al Nusra se retiraram da região há 15 dias, antes do ataque do regime”. E acusa o Governo sírio de que sua ofensiva sobre Bayirbucak tem como objetivo controlar uma área maior antes que se declare um cessar-fogo na linha de frente, de acordo com o acertado nas conversas de Viena; tornar mais etnicamente homogênea a região de Latakia, de maioria alauita, e abrir caminho à província de Idlib, em poder da oposição síria.
O Governo de Ancara se mostra tradicionalmente como protetor das minorias turcomanas da Síria e Iraque –que além disso contam com o apoio de diversas organizações ultranacionalistas e islâmicas da Turquia– assim como sustentador da oposição síria, mas esse último incidente poderá deteriorar a estratégia planejada nas últimas semanas com os EUA. Para terça-feira é esperada a chegada do vice-presidente do Estado Maior dos EUA à Turquia, o general Paul J. Selva, para conversar sobre o plano de abrir uma nova frente contra o EI no norte da Síria utilizando os “rebeldes moderados” e na quarta está prevista a vinda do ministro das Relações Exteriores russo, Sergey Lavrov, para uma reunião com seu homólogo turco, Feridun Sinirlioğlu.
Atenção, Cenas Fortes
O vídeo mostra caça Russo sendo abatido pelos Turcos.


Um vídeo divulgado nesta terça-feira (23) mostra rebeldes sírios atirando friamente nos pilotos que estavam no avião russo abatido pela Turquia. Enquanto os pilotos se ejetavam da aeronave, de paraquedas, os rebeldes atiravam. 

Vídeos: You Tube

Causas estruturais da corrupção no Brasil.

Academia Virtual de História, disponibiliza um Artigo Acadêmico que aborda a temática da corrupção, tema tão presente no cenário político brasileiro atualmente. O referido artigo foi publicado na Revista Espaço Acadêmico no ano de 2006. É interessante nos debruçar sobre o assunto para compreender o papel de uma mídia fascista que insiste em afirmar que a corrupção foi fruto do Partido dos Trabalhadores (PT), quando na verdade é frutos de quase todos os partidos políticos e instâncias da sociedade, ou seja, a corrupção no Brasil é endêmico. 






 
A corrupção é o tema central do debate político contemporâneo no Brasil. O caso de corrupção no PT[1] obteve tamanho espaço na mídia brasileira como, até então, somente durante o processo de Impeachment de Fernando Collor de Melo havia acontecido. O governo Lula está, desde então, mergulhado em sua maior crise: tanto o Ministro da Casa Civil, José Dirceu, como o presidente do partido, José Genoíno, e o Ministro da Fazenda, Antonio Palocci tiveram de renunciar a seus cargos. Embora a maioria dos acusadores esteja envolvida em corrupção (o que lhe confere uma baixa confiabilidade), poucas provas concretas tenham sido apresentadas e o caso, na realidade, envolva o PT e não diretamente o governo Lula, foi intencionalmente difundida uma imagem de que esse governo seria o mais corrupto da história do Brasil. Nas intenções da discussão vigente, portanto, é possível visualizar uma tentativa por parte da oposição e da mídia conservadora de desestabilizar politicamente o governo Lula, com o objetivo de impedir sua reeleição em 2006.
A novidade no atual debate contemporâneo brasileiro é que, agora, não somente os partidos conservadores, como já é de antigo conhecimento, estão envolvidos em corrupção, mas mesmo o PT, que, até então, era considerado isento desse problema. Com o envolvimento do PT se fala de uma “democratização” da corrupção no Brasil, ou seja, agora todos foram atingidos, o que explica a satisfação de políticos corruptos com a atual situação, pois o PT se beneficiou por muito tempo da sua tradição de ter governado sem corrupção. O contexto no Brasil nos remete aos seguintes questionamentos, que procuraremos abordar no presente texto: 1) por que a corrupção está tão profundamente arraigada no Brasil? 2) quais são as razões para isso? Como foi possível que também o PT tenha sido atingido pela corrupção? Metodologicamente iniciamos com a análise do conceito de corrupção e o seu entendimento no Brasil, para, em seguida, apresentar o sistema político brasileiro na relação com o tema e, finalmente, centrar nossa abordagem em aspectos da cultura política brasileira, com o objetivo de compreender o contexto atual do debate sobre a corrupção no Brasil.
1. O conceito de corrupção
Existem no Brasil muitas palavras para caracterizar a corrupção: cervejinha, molhar a mão, lubrificar, lambileda, mata-bicho, jabaculê, jabá, capilê, conto-do-paco, conto-do-vigário, jeitinho, mamata, negociata, por fora, taxa de urgência, propina, rolo, esquema, peita, falcatrua, maracutaia, etc. A quantidade de palavras disponíveis parece ser maior no Brasil e em países onde a corrupção é visualizada cotidianamente. Originalmente, a palavra corrupção provém do latim Corruptione e significa corrompimento, decomposição, devassidão, depravação, suborno, perversão, peita. A corrupção, entretanto, dependendo do contexto, nem sempre assume uma conotação negativa. Ela constitui, por exemplo, a base para o desenvolvimento da linguagem: a língua portuguesa resultou de um “corrompimento”, da modificação do latim, cuja variante brasileira é ainda mais dinâmica e viva (mais corrompida, portanto) do que o português de Portugal. Na linguagem política contemporânea, no entanto, a corrupção sempre assume uma conotação negativa, o que, visto numa perspectiva histórica, não foi sempre assim. Historicamente, a corrupção esteve associada ao conceito de legalidade, ou seja, corrupto era caracterizados aquele que não seguia as leis existentes. Mesmo determinados termos extremamente negativos que atualmente são usados para designar formas de corrupção, como a peita, o nepotismo e o peculato, não tinham essa conotação até há poucas décadas atrás: a peita estava instituída como um pacto entre os fidalgos e a plebe nos regimes monárquicos para garantir o pagamento de tributos do povo aos nobres; o nepotismo era reconhecido como um princípio de autoridade da Igreja na Idade Média, segundo o qual os parentes mais próximos do Papa tinham privilégios sociais aceitos pela sociedade da época; o termo peculato,       originalmente, indica que o gado constituía a base da riqueza de determinados grupos sociais privilegiados e, posteriormente, a expressão “receber o boi” passou a ser usada para designar “troca de favores”, pois o gado servia como uma forma de moeda em certas regiões rurais. O termo peculato, atualmente utilizado para caracterizar favorecimento ilícito com o uso de dinheiro público, continua com essa referência histórica de que para ter acesso a determinados privilégios é necessário um favor em forma de contrapartida.
No Brasil se associa a esse contexto histórico a assim chamada Lei de Gérson, ou seja, o comportamento de querer “tirar vantagem em tudo”, pressupondo que os sujeitos aguardam o máximo possível de benefícios, visando exclusivamente o beneficio próprio. Esse tipo de comportamento, contudo, se adapta perfeitamente ao “espírito capitalista”, como pré-condição esperada dos seres humanos numa sociedade centrada nos valores da economia de mercado. Adam Smith, por exemplo, caracterizava esse comportamento como a melhor forma de contribuir com o progresso social (Smith, 1990).
É claro que a corrupção é mais antiga que o capitalismo, mas ela encontra neste modo de produção condições ideais para sua continuidade. Através da instituição da dominação forçada do capital sobre o trabalho[2], a qual permite aos capitalistas a apropriação privada da mais valia gerada pelo trabalho de outros seres humanos, uma das formas mais básicas de corrupção passou a ser reconhecida legalmente na sociedade capitalista. Nesse sentido, a forma moderna da corrupção precisa ser compreendida no contexto da injustiça fundamental presente em todas as sociedades de classes: a injustiça no acesso aos meios de produção, que constitui a origem da desigualdade social e está em frontal contradição com os ideais de democratização, justiça social e solidariedade entre os seres humanos. É por isso que, historicamente, a corrupção é proporcionalmente maior em sociedades com maior injustiça social: onde o contraste entre ricos e pobres é maior. A ausência e a dificuldade no acesso a bens e serviços facilita a privatização de setores públicos e sua transformação em mercadoria, tendo como resultado o seu uso/abuso em benefício privado. Nesse contexto, por exemplo, bens e serviços públicos passam a ser usados como mercadorias em troca de votos em períodos eleitorais e parlamentares votam a favor de determinadas leis se houver a possibilidade de, com isso, aumentar recursos no orçamento para as regiões onde se concentra o maior número de seus eleitores (através das famosas “Emendas Parlamentares”). 
A corrupção é um fenômeno mundial e, de acordo com a declaração final do IV Fórum Global de Combate à Corrupção, realizado de 7 a 10 de junho de 2005 em Brasília, ela impõe “ameaças à democracia, ao crescimento econômico e ao Estado de Direito”. De acordo com esse entendimento, o IPC (Índice de Percepção da Corrupção)[3] serve de parâmetro internacional para investimentos do Banco Mundial, supostamente para impedir que os créditos internacionais sejam utilizados de forma indevida por governos corruptos e para comprometer governos a tomar medidas de combate à corrupção. Por outro lado, essa forma de proceder vem sendo usada como argumentação para justificar o subdesenvolvimento de países pobres. Nos países mais pobres, especialmente na África, há uma ampla aceitação da tese de que a corrupção origina o subdesenvolvimento, como se a existência da estrutura social injusta nestes países fosse meramente o resultado de “maus governos”. Com essa linha de argumentação são omitidas as causas estruturais e históricas da corrupção, por um lado, e, por outro, a responsabilidade dos países colonizadores (os quais continuam sendo beneficiados através da dependência e subordinação de muitos países pobres) passa a ser transferida à população oprimida ou a seus governos, como se estes fossem os “culpados pelo seu subdesenvolvimento”.
A percepção do tamanho da corrupção e da sua amplitude, entretanto, está pouco vinculada à existência do IPC, se comparada à importância dos meios de comunicação, do acesso a informações, da transparência de governos e, não por último, do próprio combate à corrupção. Governos que tomam medidas efetivas de combate à corrupção contribuem de forma decisiva para que a opinião pública se ocupe desta temática e identifique ações corruptas como um problema. No Brasil, historicamente, a maioria dos casos de corrupção se tornaram públicos somente em função de conflitos privados. Por isso, o país está confrontado com uma situação completamente nova, pois, no governo Lula, as denúncias de corrupção resultaram de um confronto político: políticos subornados foram à imprensa apresentando-se como “vítimas” à opinião pública, com o objetivo de atacar o PT, reforçar a oposição e impedir a reeleição de Lula. Isso explica a satisfação de políticos de direita no país, alguns deles (como Jorge Bornhausen[4]) acreditam inclusive, terem a oportunidade de, finalmente, poderem “acabar com essa raça” (referindo-se ao PT). A corrupção segue servindo de instrumento político na campanha eleitoral, coerente com a estratégia das elites brasileiras corruptas de apresentá-la à sociedade como um “problema endógeno da cultura brasileira”. A naturalização da corrupção, ou seja, a tentativa de apresentá-la como sendo algo natural e óbvio (utilizando expressões típicas de que “ela sempre existiu”, “todos são corruptos e corrompíveis”, “precisamos saber conviver com a corrupção, assim como convivemos com as estações do ano”), reduz a possibilidade de combater efetivamente ações corruptas, embora estas sejam construídas por seres humanos e, por isso mesmo, poderiam ser justamente controladas e modificadas pela ação humana.
2. O sistema político brasileiro
No debate teórico sobre a corrupção no Brasil podem ser visualizadas, no mínimo, duas grandes correntes de pensamento: a) alguns cientistas políticos partem do pressuposto de que a corrupção brasileira é uma herança do patrimonialismo ibérico; b) outros autores apresentam a ausência de uma história feudal no país como um elemento importante para descrever a falta de separação entre as esferas públicas e privadas, o que seria similar ao patrimonialismo oriental. Em nosso entendimento, entretanto, o desenvolvimento do Brasil está marcado por um processo de modernização e de manutenção do patrimonialismo, ambos ocorrendo ao mesmo tempo. Isso significa que continua existindo uma estrutura de dependência[5] do país em consonância com a manutenção do status quo das elites no país. Por isso, pode-se falar de uma modernização conservadora no Brasil, pois não se trata de uma nova ordem e sim de mudanças pontuais que, em última instância, contribuem para a consolidação da estrutura social injusta e desigual. O conceito de “modernização”, portanto, é constantemente influenciado por elementos econômicos, sociais, políticos e culturais que constituem a base de um debate acerca de diferentes processos de modernização possíveis ao país, diante dos quais os diferentes atores políticos estão confrontados. O desigual acesso aos meios de produção, desde os tempos da colonização, constitui a base do patrimonialismo brasileiro, uma corrupção original que se expressa no âmbito político e que pode ser encontrada de forma semelhante também em outros países latino-americanos. Uma importante particularidade de todo o continente sul-americano é a coexistência entre modos de produção pré-capitalistas e semi-capitalistas, embora o capitalismo tenha se desenvolvido como predominante e sobre ele se concentre prioritariamente a maioria dos estudos e análises críticas. Por isso, particularmente no Brasil, é possível constatar um desenvolvimento capitalista de forma desigual e dependente, com um acesso à modernidade sem que tenha havido uma ruptura com o seu passado patrimonialista.
Nesse sentido, não há um Estado de Direito consolidado no Brasil, e muito menos se poderia falar da existência de um Estado de bem-estar social. O Estado neopatrimonial surgido em decorrência do desenvolvimento desigual e dependente do país serve prioritariamente aos interesses de grandes proprietários de terras, empresários e outros representantes do capital. Trata-se, portanto, de um Estado autoritário e centralizado. Nós defendemos a tese de que quanto mais autoritário e centralizado estiver organizado o poder, maior será a probabilidade de se confundir o interesse público (res publica) com interesses privados. Muitos crimes no Brasil surgem no interior da própria estrutura do Estado e estão com ela conectados, de forma que a criminalidade muitas vezes é incentivada por estruturas estatais (especialmente no interior de setores da polícia e do Poder Judiciário). A maioria dos políticos é eleita como representante de poderosos interesses na sociedade e concorre visualizando a possibilidade de ter acesso a benefícios da estrutura do Estado. Inclusive criminosos se candidatam em eleições com a finalidade de serem protegidos pela imunidade parlamentar, constituindo a assim chamada “bancada do crime” que, de acordo com Francisco Weffort, já chegou a atingir 10% do Congresso Nacional.
A falta de transparência, a exclusão da maioria da população das decisões políticas mais importantes, a baixa participação política da sociedade civil e a impunidade com relação à corrupção são as conseqüências do sistema político brasileiro, constituindo um ciclo vicioso que facilita ações corruptas. Soma-se a isso a tendência de crescente profissionalização da política, o que aumenta o custo das campanhas eleitorais e a dependência de candidatos de empresários dispostos a “investir em seu futuro”. Também não devemos subestimar que o interesse de obter um cargo público como troca de favor em governos aumenta significativamente em tempos de altas taxas de desemprego. Somente no governo federal brasileiro há em torno de 25 mil cargos de confiança que podem ser “trocados” dependendo do resultado de cada eleição. Especialmente o sistema eleitoral brasileiro contribui para que a corrupção seja vista como parte integrante da política. A ausência de limites no financiamento privado de campanhas eleitorais aumenta a probabilidade de um futuro beneficiamento de empresas com dinheiro público e o fato da maioria dos partidos políticos não terem um programa político claramente definido os transforma em instrumentos políticos a serviço de grandes empresários. O voto na pessoa (motivado por critérios e influências pessoais), a ausência de fidelidade partidária, a constante troca de partidos e a constituição de alianças políticas antes das eleições são fatores que aumentam significativamente a tendência de transformar votos em mercadorias. Soma-se a isso o sigilo bancário que facilita a “lavagem de dinheiro” e as concessões de meios de comunicação a políticos, aumentando o potencial de manipulação da opinião pública. A experiência política brasileira demonstra claramente que a tão propalada democracia representativa não é democrática nem representativa, pois não existe a soberania popular, não há a responsabilidade dos eleitos com relação aos eleitos, e inexistem mecanismos de controle dos eleitos após as eleições, um contexto no qual o combate efetivo à corrupção se torna realmente muito difícil.
3. A cultura política
Mesmo que a corrupção no Brasil esteja principalmente relacionada ao sistema político e ao modelo de desenvolvimento econômico, é possível visualizar uma linha de continuidade entre a vida cotidiana e a corrupção. Essa percepção vem sendo constantemente estimulada por parte de jornalistas e políticos conservadores, os quais apresentam a corrupção como uma espécie de “lei da natureza”. Roberto Pompeu de Toledo escreveu em 1994 na Revista Veja: “Hoje sabemos, sem sombra de dúvida, que a corrupção faz parte de nosso sistema de poder tanto quanto o arroz e o feijão de nossas refeições”. Adib Jatene, Ministro da Saúde no governo Collor, afirmou em 1992: “Quem faz o Orçamento da República são as empreiteiras”. Maria Helena Guinle, socialite carioca, em uma entrevista concedida à Revista Interview, se referia a Collor como sendo uma “uma pessoa fascinante”, que “se veste bem, sabe falar” e que, como presidente, “só nos orgulhava”. Mesmo após todas as provas terem sido apresentadas e o ex-presidente ter sido afastado do cargo através do processo de Impeachment, Guinle não deixou de defender Collor, desta vez com a seguinte argumentação: “Deslizes acontecem a vida inteira. No momento em que você ocupa um cargo que te favoreça de alguma forma, acho até um pouco de burrice não aproveitar a situação”. Mário Amato, ex-presidente da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), disse, categoricamente, que “somos todos corruptos”. Essas declarações demonstram que há uma relativa tolerância com a corrupção no Brasil ou, no mínimo, uma atitude de compreensão para com os corruptos, o que acaba apoiando-os e reforçando-os em suas atitudes.
Um dos elementos culturais mais importantes da corrupção no Brasil é o acima referido patrimonialismo. A cultura patrimonialista concebe as estruturas públicas como áreas privadas, o que está estreitamente imbricado com a história de desenvolvimento do Brasil, marcada pela apropriação privada e pela dependência. No período colonial os 10% mais ricos possuíam dois terços da riqueza do país. Naquele período sequer se falava da existência de uma ética geral, pois a ética ficava restrita ao âmbito familiar. Atualmente os 10% mais ricos possuem 50% das riquezas geradas no país. Será que isso poderia ser interpretado como um sinal de que há mais de 500 anos o país está no caminho errado? De acordo com a opinião hegemônica da elite brasileira, porém, os grandes problemas sociais do Brasil há séculos, como a fome, a concentração de riquezas, a crescente desigualdade social, a privatização do setor público e, não por último, a corrupção, jamais foram encarados como obstáculos ao desenvolvimento do país. Segundo as elites, trata-se de “promover mudanças para que tudo fique como está”. Diretamente relacionados à concepção patrimonialista da cultura política das elites brasileiras se situam os fenômenos do coronelismo e clientelismo, os quais constituem a base histórica do populismo e do assistencialismo no país. O coronelismo está baseado no poder político de grandes proprietários rurais (os coronéis), exercido através da estrutura de dependência da propriedade da terra sobre os trabalhadores rurais. Amizade e parentesco assumem uma importância decisiva nas relações sociais predominantes nas fazendas, assim como a subordinação dos oprimidos em forma de fidelidade e reconhecimento em troca de proteção patriarcal e do acesso a determinados “privilégios”. O clientelismo é a versão urbana do coronelismo, uma vez que a maioria dos proprietários rurais era também advogado ou médico, tratando seus eleitores, tradicionalmente, como “clientes”. Tanto o coronelismo como o clientelismo estão, historicamente, fortemente vinculados ao desenvolvimento brasileiro, pois a assim chamada economia de mercado foi, originalmente, controlada pelos proprietários de terra. Em seus territórios de influência os coronéis foram constituindo pequenos “reinos de poder” nos quais sentiam orgulho ao mostrar “seu povo” publicamente, como símbolo do seu poder local e regional. Apesar da “modernização” capitalista do país ficou conservado um equilíbrio na distribuição de poder entre os grandes proprietários industriais e rurais na maioria dos Estados da federação. O presidente Getúlio Vargas, como liderança rural carismática e populista, foi quem melhor soube se adaptar a essa realidade. Com sua estratégia de combinar interesses do povo com os dos grandes proprietários rurais e industriais, Getúlio governou o Brasil por 15 anos. Para evitar maiores conflitos políticos com o povo, o getulismo ficou marcado pela manipulação da classe trabalhadora, instituindo importantes políticas sociais e extinguindo a autonomia das organizações sociais e populares existentes no período. O getulismo é a base do populismo e do assistencialismo no Brasil, propondo concessões sociais para conservar o poder ou, em outras palavras, a política de “entregar os anéis para poder seguir conservando os dedos”.
Um outro elemento importante da cultura política brasileira é a tendência de não encarar determinados crimes (como, por exemplo, o contrabando e a corrupção) como problemas se o seu objetivo é visto como positivo ou justificável. Assim, a corrupção passa a ser tolerada e pessoas corruptas são, tendencialmente, encaradas como espertas ao invés de serem caracterizadas como criminosas, o que também está fortemente relacionado à forma sensacionalista como os escândalos de corrupção geralmente são apresentados à opinião pública. Essa forma de encarar determinadas situações é comumente chamada de “jeitinho brasileiro”, como sendo a “criatividade de encontrar uma saída para tudo”. De acordo com pesquisas de opinião, no entanto, a maioria do povo brasileiro condena a corrupção: 83% afirma, por exemplo, que jamais venderia seu voto; ao mesmo tempo, porém, 73% dos entrevistados acredita que seus compatriotas o fariam, um sinal evidente da predominância da idéia de que a maioria das pessoas no país seja corrupta. Também as justificativas de caráter pessoal assumem uma importância central no debate sobre a corrupção no Brasil. A referência à amizade é geralmente mais forte do que à idéia de responsabilidade política dos eleitos. Trata-se de um acordo de reciprocidade, do reconhecimento da idéia de que os seres humanos dependeriam uns dos outros e, por isso, a confiança e a lealdade deveriam ser vistas como os valores mais importantes para a convivência. A confiança é, muitas vezes, caracterizada como o cimento das relações interpessoais, assim como a solidariedade e a predisposição à ajuda, valores que, muitas vezes, são corrompidos ao servirem de base à justificação de atitudes corruptas. Nessa lógica, instituições públicas passam a ser utilizadas com a finalidade de retribuir favores pessoais e boas relações são usadas como instrumento de intermediação para obter benefícios e privilégios, já que estão baseadas na intimidade, na confiança mútua, numa maior facilidade de comunicação e acesso a pessoas em cargos importantes. Nessa concepção, a corrupção, assim como a vida, são encaradas como um intercâmbio, como um constante processo de “trocas” entre pessoas.  Nessa perspectiva, vale a pena investir em boas relações com políticos e funcionários públicos, o que, obviamente, tem seu preço político: concessões econômicas são trocadas por concessões políticas e as dificuldades inerentes à concessão dos benefícios esperados aumentam proporcionalmente o preço político na relação de “troca”.
O PT pagou um preço político alto. Trata-se, acima de tudo, de poder e governabilidade.  Ao invés de constituir alianças políticas com vistas à implementação de reformas sociais previstas em seu programa, o PT constituiu alianças com o objetivo de alcançar poder. O meio se transformou em fim e os pragmáticos do partido, aparentemente, posam como vitoriosos na disputa interna sobre os rumos do PT. Em nosso entendimento, isso não pode ser caracterizado como traição, pois não partimos do pressuposto de que Lula ou o PT tenham sido modificados ou cooptados pelo “aparelho de poder do Estado”. O contrário é mais provável: não por ter poder no governo, mas exatamente para obter poder, para poder governar, é que o PT está abandonando seu programa. Esse processo de abandono programático está em curso desde o início da década de 1990 e, gradativamente, foi constituindo uma estratégia política para a maioria da direção do partido, tendo seu auge na eleição de Lula em 2002: progressivamente, o partido abriu suas portas para filiações em massa, integrando novos membros sem qualquer relação com a tradição do PT; abriu espaço para a filiação de parlamentares, que começaram a ver no PT melhores chances individuais para se eleger; introduziu as eleições diretas para a direção partidária em todas as suas instâncias, reduzindo a importância do debate interno; aumentou os investimentos em marketing e profissionalização da estrutura partidária; e, não por último, reduziu drasticamente a formação política e o debate programático (Pont, 2003). Como no presidencialismo há a tendência de um presidente com minoria parlamentar se ver obrigado a construir alianças com outros partidos para poder governar, os acordos políticos representam um importante meio para alcançar maior governabilidade. Considerando que a maioria dos partidos no Brasil conquista votos, normalmente, de forma corrupta no período eleitoral, supostamente com o objetivo de aumentar seu poder político, é muito provável que os acordos políticos entre partidos e parlamentares também sejam marcados pela corrupção. Isso, porém, não pode, de forma alguma, servir de justificativa ao PT, pois, na maioria das situações em que o partido governou até hoje, ele não pôde contar com uma maioria parlamentar. Mas não era somente por contar com uma minoria parlamentar que o PT priorizava a mobilização da sociedade civil com vistas à implementação de reformas sociais em benefício da maioria da população. A mobilização social constituía o elemento central da sua estratégia de construção de hegemonia política, baseada na compreensão de que o poder precisa ser conquistado num processo de contra-hegemonia, no qual a participação e a auto-organização dos trabalhadores permitem o avanço na tomada de consciência política da população.
Essa é a mudança fundamental do PT com o governo Lula, o qual não se dispõe a avançar na democracia participativa (seguindo a exitosa experiência do partido com o Orçamento Participativo), correndo o risco constante de degenerar politicamente e eticamente ao se adaptar à lógica corrupta da democracia representativa brasileira. Para o Brasil esse processo de degeneração representa um enorme retrocesso na história de democratização do país, pois o PT incorporava, até então, como único partido programático existente, a grande esperança de transformações sociais, as quais poderiam ser conduzidas de forma democrática (de baixo para cima) através de uma crescente mobilização social. A degeneração política do PT, através da sua adaptação cada vez maior à tradição historicamente autoritária, populista e fisiologista da política brasileira, é profundamente lamentável porque desta forma o partido abandona seu papel de protagonista e de portador de esperanças em transformações sociais construído duramente nas últimas décadas. E a degeneração ética do PT, que também está em curso, contribui decisivamente para uma maior naturalização da corrupção, o que dificulta ainda mais a construção de medidas efetivas de combatê-la.

Referências bibliográficas:
Córdova, Armando/Michelena, Hector Silva. Die wirtschaftliche Struktur Lateinamerikas. Drei Strudien zur politischen Ökonomie der Unterentwicklung. Frankfurt am Main: Suhrkamp, 1971.
Córdova, Armando. Strukturelle Heterogenität und wirtschaftliches Wachstum. Frankfurt am Main: Suhrkamp, 1973.
Marx, Karl. Der Bürgerkrieg in Frankreich. MEW, Band 17. Berlin: Dietz Verlag, 1971.
Pont, Raul. Hoffnung für Brasilien. Beteiligungshaushalt und Weltsozialforum in Porto Alegre. Entwicklung der PT und Lulas Wahlsieg.Köln: Neuer ISP Verlag, 2003.
Smith, Adam. Untersuchung über Wesen und Ursachen des Reichtums der Völker. Band I. Düsseldorf: Verlag Wirtschaft und Finanzen, 1990.



Fonte: Revista Espaço Acadêmico - publicado em setembro de 2006.

HISTÓRIA DE PACOTI - CEARÁ

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