sexta-feira, 23 de junho de 2017

O índio brasileiro: ainda um vazio na história.

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(Ilustração retirada do Google imagens)

A Academia Virtual de História traz um belíssimo texto do historiador e professor universitário Augusto Moutinho, sobre a questão indígena no Brasil, que praticamente vive no anonimato, quase nada é produzido a respeito. É necessário mais estudo e pesquisa quanto a importância da cultura indígena na formação do povo brasileira, como afirma  Moutinho no texto que "(...) a história do indígena permanece adormecida, ou sendo compreendida a partir de pseudo-interpretações". É o que normalmente ocorre. A história do Brasil fica centrado somente no branco, no europeu, ou seja,  uma história dos "vencedores", do colonizadores. Enquanto a figura do índio é apresentada como um preguiçoso e a do negro como escravo. 

Por Augusto Moutinho

Ao contrário do direcionamento incontável de análises sobre o negro, desde o início do século -- problematizando e enfocando os horrores da escravidão -- o índio tem ocupado um espaço microscópico em nossa historiografia. Esse lugar infinitamente pequeno e secundário que foi dedicado à história indígena tem legado esses povos ao esquecimento, ou lembrados subitamente em flashs sensacionalistas. O índio tem uma história; uma história indubitavelmente plural. É necessário então reconstituir o verdadeiro cenário; desconstruir abordagens simplistas que eurocentrizaram as análises, configurando o indígena num ambiente social exótico e primitivo.
Elementos como a antropofagia ameríndia ainda povoam o imaginário coletivo. A pintura de Theodor de Bry é reveladora das representações criadas pelo europeu, no começo dos tempos modernos, para o nativo brasileiro.
Essa resignificação histórica é também um resignificar de consciência. Para os indígenas é um olhar-se sobre si, reconstruindo suas identidades que, por tanto tempo foram mascaradas e ou desfiguradas por uma miopia historiográfica. As representações criadas para o indígena brasileiro ainda são projetadas e extrapoladas no infinito, passando a justificar tanto o presente quanto o futuro.

Notadamente, os etnólogos têm contribuído para uma investigação pormenorizada das sociedades indígenas. Dos mais antigos, escorados em Lèvi-Strauss ou Métraux, até os mais recentes como Roberto Cardoso de Oliveira, Maria Manuela Carneiro da Cunha, entre outros, procuraram se debruçar sobre o sentido da guerra, a organização social, as relações de parentesco, a religiosidade, e uma vastidão de assuntos, pormenorizando assim o universo social e cultural do índio. Contudo, e apesar dos notáveis trabalhos no campo etnológico, tais abordagens não substituem as análises históricas; estas se constituem um campo ainda embrionário no Brasil.

A historiografia brasileira, no entanto, vale-se de exemplos notáveis de autores que direcionaram suas análises para esse âmbito. Trabalhos como o de Stuart B. Schwartz, Segredos Internos; Ronaldo Vainfas, A heresia dos Trópicos; Ronald Raminelli, Imagens da colonização, ajudaram a diminuir o grande vazio que se formou por falta de abordagens mais específicas. É preciso insistir, porém, que as lacunas permanecem. Malgrado o brilho de tais trabalhos, a história do indígena permanece adormecida, ou sendo compreendida a partir de pseudo-interpretações. Se ampliarmos o poder da nossa lente, perceberemos que nos níveis escolares de primeiro e segundo graus, as representações construídas para o indígena brasileiro são ainda mais distorcidas e comprometedoras. Infelizmente o livro didático ainda é o filho abastardo das discussões e produções acadêmicas. O pouco que se tem avançado nessa área nas universidades, ainda não atingiu em cheio os manuais didáticos.

O conhecimento histórico tem experimentado uma intensa renovação nos últimos sessenta anos. Já na década de trinta a Escola dos Annales propõe novas temáticas para a história, contrapondo-se à historiografia positivista. Papel semelhante exerceu a Nouvelle Histoire, investindo nas mentalidades e questionando o próprio lugar de onde o historiador escreve. O marxismo também não ficou estático: de Gramsci a Eric Hobsbawn e E. P. Thompson, um estado de profunda efervescência intelectual ganhou corpo na arena do conhecimento histórico.

Nos últimos anos, contudo, tais modelos passaram por uma importante mudança de ênfase, a partir do interesse cada vez maior pela história cultural. As críticas movidas à disciplina (História) e ao próprio conceito de mentalidades contribuíram de fato para essa redefinição. A história cultural apresenta-se então como o grande refugio epistemológico.

As representações sociais mostram-se multifacetadas, o que determina, de certa forma o caráter plural da Nova História Cultural. Abordagens ancoradas nesse campo ampliariam o leque de problematizações acerca da história indígena. Apesar de distintos, modelos de história cultural de Ginzburg, Chartier e E. P. Thompson, pontuam elementos teórico-metodológicos tão importantes quanto necessários para a compreensão do processo histórico-cultural dos povos. É nesse sentido, que se faz necessário um direcionamento epistemológico que possibilite a resignificação histórica dos povos indígenas, considerando toda a sua complexidade cultural.

Esse eixo temático deve, em regime de urgência, ser ampliado e apresentado de forma mais consistente no livro didático, articulando-se então a outros temas. Para isso faz-se necessário uma desconstrução, principalmente no tocante a periodizações e tematizações. Geralmente, por ordem didática, ou até mesmo por determinações metodológicas, os capítulos são estratificados (política, economia, sociedade), limitando os aspectos culturais a subitens, quando não determinados por estruturas econômicas.

Outrossim, o conceito de sincretismo deve ser revisto, afastando as possibilidades de folclorização da cultura indígena, que ainda vem sendo tratada como elemento estático na História do Brasil. Esse sincretismo deverá ser percebido num contexto de circularidades e inter-relações com outras culturas. Reduzir a contribuição da cultura indígena a sua "herança" (vocabulário, comidas...), tal como vemos nos livros didáticos, é empobrecer a sua história.

Vale ressaltar que não se trata de decompor os discursos, tomando-lhes de assalto, num estado genérico de histeria revanchista. "Não se trata aqui de construir uma história-revanche, que relançaria a história colonialista como um bumerangue contra seus autores, mas de mudar a perspectiva e ressuscitar imagens esquecidas ou perdidas", salienta J. Ki-Zerbo em sua História Geral da África. Portanto, reescrever a História Indígena é, antes de tudo, modificar os discursos que durante tanto tempo representaram os nossos nativos com os mais nocivos e pejorativos adjetivos. É apontar, definitivamente, perspectivas mais seguras de compreensão do universo histórico e cultural do índio.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Google digitaliza e disponibiliza três mil anos de história da moda.


Publicado em 11 de junho de 2017 por .

Sob o título “We Wear Culture”, o Google digitalizou 30 mil itens e três milênios de história da moda em um projeto no qual participaram mais de 180 museus, instituições, escolas e arquivos de cidades como Madri, Londres e Paris para aproximar a moda dos internautas “com apenas um clique”.
O Google Arts & Culture, que criou mais de 450 exibições virtuais, narra as histórias dos itens desde a antiga Rota da Seda até o punk britânico, passando pelo surgimento do jeans como roupa de trabalho nas minas e sua evolução como ícone de alta costura, segundo explicou em um comunicado Kate Lauterbach, gerente de Programas da iniciativa.
“We wear Culture”, gratuito e disponível a partir de hoje no site g.co/wewearculture e no app do Google Arts & Culture no Android e iOS, mostra como a moda está presente na nossa sociedade e como a diva brasileira Carmen Miranda fez populares os sapatos de plataforma em 1930.
Uma iniciativa na qual participaram desde o Met Costume Institute de Nova York ao Victoria & Albert Museum de Londres, passando pelo Kyoto Costume Institute de Japão, o Museu Cristóbal Balenciaga de Guetaria e a Fundação Agatha Ruiz de la Prada.
Especialistas destas instituições contribuíram para reviver as histórias de peças que foram marco na história da moda através da realidade virtual. O Brasil está presente com 11 museus.
Confira clicando aqui: Cultural Institute

Fontes: História Hoje e Google.

Por que o Vaticano não se opôs firmemente ao Holocausto?

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Desde de 1930, o Papa Pio XI e outras lideranças da Igreja Católica, em várias ocasiões expressaram uma certa preocupação em relação aos avanços e consequências da ideologia nazista.

No ano de 1933, bispos alemães haviam assinado e publicado uma carta na qual falavam sobre os princípios do nazismo, a partir de atos que iam completamente contra os dogmas católicos. Junto à carta também escreveram ao governo assinalando repulsa pelos abusos recorrentes.

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Contudo, no mesmo ano, a Santa Sé assinou uma concordata junto à Alemanha, que ia de encontro a política usada pelo Vaticano no momento: tentar se juntar aos regimes opostos ao da Igreja para conseguir mitigar seus efeitos. No entanto, os nazistas não cumpriram os termos do acordo e perseguiram membros da igreja que se opunham ao nazismo.

Avançando mais no tempo, em 1937, a pedido de bispos alemães e para mostrar oposição e profunda crítica às ideologias nazistas, surgiu a encíclica “Com ardente preocupação” – uma carta circular do papa que abordava temas da doutrina católica. Mesmo entrando de forma escondida na Alemanha, a carta foi lida em um domingo, dia 21 de março de 1937, em todas as igrejas católicas do país.

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No entanto, em 1938, quando os nazistas invadiram a Áustria, o Cardeal Innitzer, de Viena, apoiou a presença do regime por meio de um comunicado, mas, rapidamente, precisou se retratar a pedido do próprio papa. Os nazistas, por outro lado, omitiram a informação, deixando apenas a primeira declaração ir ao ar.

Em 1939, após a morte de Pio XI, Pio XII assumiu seu lugar, sendo considerado um dos maiores colaboradores da encíclica, e principal signatário da concordata. A partir de 1941, enquanto os abusos nazistas aumentavam, a Igreja fez apelos contínuos através de canais diplomáticos pedindo ao governo nazista e aliados ao regime para que cessassem os ataques aos judeus. Tais fatos foram demonstrados em inúmeras documentações supostamente nunca reveladas ao público.

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Por outro lado, o papa não fazia declarações públicas porque, aparentemente, não queria agravar a situação ou causar mais vítimas – como ocorreu na Holanda, quando bispos holandeses protestaram contra os nazistas e em retaliação, o regime prendeu e deportou mais de 40 mil judeus nas semanas seguintes.

Grande parte dos historiadores concordam que, embora mínima, a ação da Igreja de fato conseguiu salvar muitas vidas. Ao seguir as instruções de Pio XII, religiosos esconderam muitos judeus em igrejas e conventos para que fossem salvos da perseguição. Até mesmo o próprio papa escondeu em Castel Gandolfo mais de 3.000 judeus.

Após o fim da Segunda Guerra, várias organizações judaicas agradeceram à Santa Sé pela ajuda oferecida. De acordo com o historiador judeu David Dalin, graças à Igreja, mais de 700.000 judeus foram salvos.

Ainda, em 1988, o Vaticano pediu desculpas ao mundo por não ter sabido agir melhor e com mais força, e pelas atitudes de alguns membros da Igreja à época. Alguns historiadores atestam que não podem ser desconsideradas as circunstâncias históricas por trás de todo o contexto, e que não se deve julgar o caso sem conhecer todos os fatos. Em suma, para eles, a Igreja não foi mais firme em relação aos abusos nazistas porque não queria causar mais vítimas.


Fonte: Site do Jornal Ciência

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Artigo - O imperador, a amante francesa e o bastardo natimorto.

A cidade avida pelas fofocas da corte. (Imagem: Debret).


Publicado em 11 de junho de 2017 por  - artigos.

D. Pedro apreciava “dançarinas e coristas, em detrimento de damas de alto coturno”, segundo o naturalista francês Victor Jacquemont. Na época, amantes e concubinas eram o avesso das esposas. Estas cuidando da linhagem e dos filhos, portanto do sangue. Aquelas, do prazer, logo, da carne. Ambas completavam o homem. As vagabundagens amorosas do príncipe eram largamente conhecidas e D. Pedro, apesar do matrimônio, não parecia inclinado a recusar nenhum deleite nascido dos sentidos.
A moça chamava-se Noémie Thierry. Filha de um artista francês, era dançarina de teatro. O príncipe encontrara-a num espetáculo no qual se exibia com a irmã, encantando-se com sua beleza e sensualidade. À mãe da jovem foi dada uma quantia vultosa para que ele pudesse gozar do privilégio de visitá-la secretamente. Posteriormente, Noémie foi alojada nas dependências do Palácio de São Cristóvão. Incapaz de dominar sua paixão, D. Pedro queria desposá-la secretamente. Segundo alguns contemporâneos, a moça era educada e empreendeu a instrução de seu real apaixonado.
Às vésperas da chegada de Leopoldina, a notícia dos amores do príncipe propagou-se pela cidade. Aliás, o assédio que fazia às mulheres era assunto corrente. Andava pelas ruas à cata de presas. Não poucas vezes, apeara do cavalo para levantar a cortina de uma cadeirinha que passava carregada no ombro de escravos. Ele não conhecia limites nem diante da família nem diante do marido da mulher desejada. Pais honrados trancavam suas filhas para protegê-las. Explicou um deles: “para que a língua do povo não rumorejasse.”
O gosto pela informação e a curiosidade pública desenvolviam-se na pequena cidade e deixavam os indivíduos em condições de “saber sobre os outros”. O povo adorava conhecer os boatos que varriam a corte. À boca pequena, murmurava-se sobre a rainha com o comandante das tropas navais britânicas, Sy dney Smith. A este, Carlota Joaquina deu de presente uma espada e um anel de brilhantes. Ou o assassinato com um tiro de bacamarte – a mando da própria rainha – da mulher de um funcionário do Banco do Brasil, sua rival. Enquanto isso, comentava-se a solidão de D. João VI, atenuada – dizia-se – pelos cuidados de seu valete de quarto.  
O caso do príncipe assumiu ares de gravidade quando se soube que a dançarina estava grávida. Daí nasceria um bastardo, antes mesmo de o consórcio realizar-se. A corte inquietou-se, pois o contrato de matrimônio já fora assinado e a ligação com a dançarina se tornara pública. O príncipe enfureceu-se e protestou quando lhe comunicaram que sua noiva austríaca já estava a caminho. Teve vertigens, passou mal. Recusou desfazer-se de sua “mulher”, como teimava em chamá-la. Rejeitava despedi-la, apesar das ordens, das ameaças feitas por seus pais, toda a corte e o ministério de ser deserdado. Falava-se que alguns cortesãos incentivavam o caso, na esperança de preservar suas próprias filhas. O certo é que D. Carlota Joaquina teve papel relevante nas negociações para afastar a bailarina de São Cristóvão. Sobre tais amores, costumava dizer a rainha: “Se os pais não fossem alcoviteiros, as filhas não seriam putas.”
Curiosa e inquieta, a cidade aguardou o desfecho do caso. Noémie cedeu, apesar de se confessar apaixonada e relutante em afastar-se de D. Pedro. Recusou-se, porém, a voltar para a Europa. Queria ficar no Brasil. Quem sabe um dia os amantes pudessem se reencontrar. Foi bem indenizada: amparada com um dote de cinco contos de réis, enxoval para o filho e, de quebra, ganhou um marido. Este, um oficial português que, por sua condescendência, foi dotado de seis contos de réis em dinheiro e um ofício que montava a 800 contos de réis por ano. Em Recife, Noémie deu à luz um prematuro natimorto. Dizia-se que o corpo embalsamado da criança foi guardado numa caixa e entregue a D. Pedro, que a mantinha no próprio gabinete.
  • “A Carne e o Sangue”, de Mary del Priore. Editora Rocco, 2012.

Fonte: Site http://historiahoje.com


terça-feira, 20 de junho de 2017

Texto e Documentário - Hospital Colônia: Um capítulo macabro da nossa história!

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Por Elienae Maria Anjos  - publicado em 11 de janeiro de 2017.


“Hoje nós começamos a percorrer o ‘Centro Psiquiátrico’ de Barbacena, como o governo insiste em rotular. Os primeiros de seus dezesseis pavilhões. Suas enfermarias, seus pátios. Não encontramos os loucos terríveis que supúnhamos. Seres humanos como nós. Pessoas que, fora das crises, vivem lúcidas o tempo todo. Sabem quem são e o que fazem ali. O que os espera no fim de mais alguns dias, alguns anos. Pessoas que pedem para ser fotografadas, pedem a publicação de seus nomes. Insistem em voltar à sociedade, à família, ao afeto, à liberdade. Nem todas, porém. As alienadas, de tão drogadas, de tantos choques, tanta prisão. Crianças que não conseguem nem se locomover. Mas a maioria insiste em ter esperança de ser tratada como ser humano. Ainda há tempo.” 
(Hiram Firmino)
                                                                              
Enquanto maldades e atrocidades contra pessoas indefesas, como crianças, idosos, debilitados, portadores de deficiências físicas e doenças emocionais estiverem sendo retratadas apenas em uma tela ou em páginas de livros fictícios, nossas vidas, nossas mentes, nossos sentimentos e a nossa visão sobre o ser humano não serão completamente transformados, impactados ou virados de cabeça para baixo. Mas, e se inesperadamente algo ainda desconhecido por nós, trouxer a oportunidade de nos confrontar, nos colocando diante de uma história real, bizarra, cruel e inacreditável que aconteceu dentro do seu próprio país? Justamente em uma parte onde muitos fatos históricos carregados de revoluções humanas e crescimentos importantes contribuíram para o desenvolvimento da nação? Como entender que em um mesmo lugar com tamanha riqueza cultural, de grandes movimentos transformadores foi permitido interromper tantos desenvolvimentos humanos, aniquilando vidas?
Refiro-me ao livro da jornalista Daniela Arbex, Holocausto Brasileiro, (2013) que nos apresenta com riquíssimos detalhes, através de uma apurada investigação, o início e o fim de uma trajetória de injustiças, abandono, violência, desrespeito, falta de dignidade e excessivas dores que mais de 60 mil vidas foram submetidas, sem nenhuma explicação. Esses horrores iniciavam dentro de vagões de um trem que chegava à estação Bias Fortes, chamado “trem de doido”.  A locomotiva os levava para uma viagem sem volta.  Através dela, pessoas começavam um novo e aniquilante tempo sendo presas até a chegada da morte no suposto Hospital Psiquiátrico Colônia, localizado em Barbacena, Minas Gerais.
Ainda não posso afirmar como se encontra meu interior depois dessa leitura.  Tamanhas são as misturas de sentimentos, revoltas, lágrimas, espanto e até mesmo incredulidade diante de tantos males que descobri e que ainda estão vivas em minha memória. O que agora compartilho é o que me sinto relativamente aliviada em saber que essa história tão trágica de um dos maiores manicômios do Brasil, mesmo sendo muito tarde, chegou ao fim. Penso nas vidas que foram sacrificadas para que seus corpos absurdamente fossem vendidos em nome da pesquisa e da ciência… Excluídos da vida, perdendo o direito de usarem todos os seus sentidos naturalmente, porém em morte suas carnes e seus ossos serviram para gerar dinheiro, além de ajudar a “evoluir” a ciência em tantos laboratórios e hospitais de Minas Gerais.
Uma reflexão visitou minha mente várias vezes e até agora ainda alimenta minhas opiniões, me causando diversas emoções confusas entre revolta, tristeza e incapacidade de acreditar que em nosso solo existiu um campo Nazista: o manicômio Colônia. Ali, muitos funcionários também foram cúmplices, querendo ou não, dos fatos horrendos que a história não nega e nem esconde.
Pergunto-me quais interrogações àquelas vítimas carregavam. Será que tentavam em vão compreender o que fizeram para irem para aquele lugar? Que doenças eram aquelas que ao invés de receberem um tratamento, eram torturados com choques, lobotomia, duchas escocesas e abandono até a morte? Desde aquela época até hoje, não há outra forma melhor de chamar aquele hospital, do que um Holocausto, já que existem muitas semelhanças entre as atrocidades cometidas nesse local com as que ocorreram nos campos de concentração, durante a segunda Guerra Mundial. Nós, brasileiros, não tivemos oportunidade para olhar de perto o extermínio de vidas devido a indiferença nascida do preconceito.
Através dos tensos e sufocantes depoimentos, Daniela Arbex, teve acesso à realidade vivida pelos pacientes que tiveram o ciclo de suas histórias cortadas, amputadas por serem simplesmente diferentes ou por terem manifestado algum tipo de senso de ousadia e justiça em seu cotidiano. Naquela época (a partir de 1911), não era necessário uma pessoa apresentar fragilidades mentais ou emocionais, para ser internada com o propósito de um tratamento psicológico. Bastava ser um adulto tímido, triste, epilético, ter alguma fraqueza com bebidas, ser homossexual, prostituta, ter perdido seus documentos, a virgindade ou ter sido uma mulher abandonada pelo marido. E as crianças? Como iam parar ali? Elas também eram abandonadas por suas famílias naquele lugar, após terem a certeza que eram portadoras de algum tipo de  deficiência. Eu me vi nelas e chorei. Não havia a dignidade de se ter um nome, porque isso não tinha importância para a instituição. O nada não precisa ter identidade, o nada é vazio. Vestimentas não eram necessárias e suas cabeças eram raspadas, inexplicavelmente… não havia nenhum toque de humanidade naqueles corpos… Ninguém mais era dono de sua vida e nem responsável por suas vontades… não havia um alimento digno, o que era servido tinha a  aparência de lavagem . Os responsáveis por esse domínio cruel e pelas amputações de vidas, estavam tanto do lado de fora, quanto dentro do hospital: uns saíram de dentro das próprias famílias dos pacientes, outros do poder público da Cidade dos Loucos.
Se é que existe de fato alguma mazela classificada de loucura, com certeza passou a existir naquelas vidas porque foi imposta pelos seres “normais” que dominavam aquele ambiente hostil. Até hoje, mesmo com o nascimento de muitos médicos humanizados, seguidores da visão antimanicomial, infelizmente ainda há um domínio humano sem sensibilidade que insiste em tentar nos convencer de que a precariedade mental se encontra naquele que vive dentro de seu mundo inconsciente, buscando por diversos meios unicamente se conhecer e compreender o que se passa ao seu redor. Loucos, insensatos são aqueles que provocam muitos barulhos e violências nessas vidas, através de grades, drogas, amarras e surras. Tomando o controle de toda a liberdade e de mínimos direitos… Que intenção há nessa exclusão de afeto? Não se devolve a dignidade e a vida comum que há dentro da sociedade, excluindo a pessoa da interação e do convívio social.
“Vocês precisam entender que não somos tomadores de conta. Somos cuidadores. Os doentes têm o direito de retornar para a sociedade.”
Sabemos que onde falta amor, certamente falta visão externa e alma… e se falta alma, falta a vida, e se não há vida, nunca haverá sensibilidade para se saber o quanto se pode ferir um pássaro-humano, prendendo-o numa “gaiola”.
A cada página virada com cuidado aguardando mais um sofrimento ou renascimento, me vinha à lembrança, a história fictícia do livro “The Boy in the Striped Pyjamas”, (O menino do pijama listrado) de John Boyne, que retrata muito bem essa acepção com uma vida semelhante à nossa, mas afastadas e evitadas por carregarem um pensamento diferente ou terem outra cultura. Que existam mais Brunos entre nós! Que outros também consigam olhar o diferente sem desprezar o que ele é e o que pensa. Que pijamas listrados ou azulões, cor do que era usado na Colônia, não sejam usados com o propósito de separar vidas que são iguais às nossas.
Apesar de todo “nazismo” que há a cada página do livro de Daniela Arberx, pude identificar que a esperança existiu, e através dos relatos, reconheci muitos guerreiros humanizados do movimento antimanicomial que lutaram/lutam pelo fechamento não só daquela unidade, mas tantas outras que existem em nosso país.
Insisto em tentar acreditar que aquele sacrifício humano fez muitas pessoas se levantarem, se incomodando com o silêncio para proclamar uma verdade: quem precisa de cura é a humanidade preconceituosa e insensível. Tive essa certeza através de várias pessoas citadas na história que fazem parte do grande número de excelentes cuidadores, fora e dentro da medicina, que se doaram, mostraram imagens e filmes sem medo e sem pudor dos encarcerados daquele lugar. Não fizeram acepção e nem desistiram de lutar pelos menos favorecidos, ensinando até coisas simples, por exemplo, defecar e urinar no lugar adequado, necessidades básicas que aquelas pessoas deixaram de ter… Também presentearam aqueles pés com calçados, os corpos com vestimentas, a cabeça com cafuné e as almas com os abraços que não conheciam… Esses sensibilizados fizeram o impossível por várias décadas, até perderem o direito de exercer sua profissão como punição pelas vidas perdidas naquele manicômio. Muitas delas puderam viver na realidade, um pouco do que Bruno, o personagem alemão do livro de John Boyne, tentou ser em sua inocência infantil: um anjo, um doador de alimento, de atenção e alento na vida do amiguinho judeu Shmuel.  E como já se sentia um explorador curioso das coisas fantásticas, ele fez aquele menino ser sua melhor descoberta…
Bruno teve a certeza de jamais ter visto um menino tão triste e tão magro em toda a sua vida, mas decidiu que seria melhor conversar com ele.
“Estou explorando”, disse ele.
“Ah, é?”, disse o pequeno menino.
“Sim. Já faz quase duas horas…”
“Descobriu alguma coisa?”, perguntou o menino
“Quase nada”.
“Nada mesmo?”
“Bem, descobri você”, disse Bruno após um instante.
…resumindo, ele foi um verdadeiro amigo que não olhou nenhuma diferença, mesmo separados por uma cerca de arame…
Shmuel se aproximou bastante de Bruno e olhou para ele assustado.
“Sinto muito por não termos encontrado seu pai”, disse Bruno.
“Tudo bem”, disse Shmuel.
“E sinto muito que não tenhamos podido brincar, mas, quando você for a Berlim, é só o que faremos, e eu o apresentarei a… Puxa, como era mesmo que eles se chamavam?”, Bruno se perguntou, frustrado, pois eles deveriam ser os seus três melhores amigos para toda a vida, as tinham desaparecido de sua memória àquela altura. Ele não se lembrava de seus nomes nem de seus rostos.
“Pensando bem”, ele disse, olhando para Shmuel, “não importa se eu lembro ou não. Eles não são mais meus melhores amigos mesmo.” Ele olhou para baixo e fez algo bastante incomum para a sua personalidade: tomou a pequena mão de Shmuel e apertou-a com força entre as suas.
“Você é o meu melhor amigo, Shmuel”, disse ele. “Meu melhor amigo para a vida toda.”
Shmuel poderia ter aberto a boca para responder alguma coisa, mas Bruno não teria escutado porque neste instante ouviu-se o alto ruído de todos os que haviam marchado para dentro engolindo em seco, enquanto a porta da frente foi subitamente trancada e um forte barulho metálico ecoou vindo de fora.
Bruno ergueu uma sobrancelha, incapaz de compreender o sentido daquilo tudo, mas presumiu que tivesse algo a ver com a necessidade de manter a chuva longe e impedir que as pessoas ficassem resfriadas.
E então o cômodo ficou escuro e de alguma maneira, apesar do caos que se seguiu, Bruno percebeu que ainda estava segurando a mão de Shmuel entre as suas e nada no mundo o teria convencido a soltá-la.
A cada história fictícia ou verídica que chega diante de meus olhos, me faz insistir em acreditar que para ser livre, feliz e autêntico, é preciso ser louco. A loucura é que é sadia, porque ela não escraviza as emoções e nem nos poda de viver nenhuma rara oportunidade. Ela derruba corajosamente as cercas e abre as gaiolas que prendem vidas que carregam o medo de chorar, de sofrer, de ser constrangido por coisas banais, de perder direitos…. Esses sim, são doentes porque insistem covardemente durante muitas décadas em não aceitar a cura que sempre os visita.
“Quem encarcera, seda e isola não acredita na razão, nem no resto dela. A lei da reforma psiquiátrica, ao contrário, é humanista, mas baseada em fundamentos técnicos da própria medicina, os quais permitem a realização do tratamento em liberdade…
A lei não desconhece a doença mental. Ela regula a forma de tratá-la. As insuficiências do tratamento não são da lei, mas da deficiência na sua aplicação. A doença é uma coisa normal da vida. O que não é normal é não haver convivência pacífica com ela. O maior problema ainda é de aceitação da dificuldade do outro. A reforma psiquiátrica é, de certa forma, a abolição da escravidão do doente mental, seu fim como mercadoria de lucro dos hospitais fechados, da exploração do sofrimento humano com objetivos mercadológicos.”
Paulo Delgado, “deputado dos doentes mentais”
Dedico meu texto às vidas que se foram dentro do Hospital Psiquiátrico Colônia e também aos poucos sobreviventes que nos ajudaram a conhecer profundamente o que ali dentro visceralmente se passou. Presto minhas admirações à eles, porque em meio a morte em vida, nunca perderam a esperança e nem desistiram da vida.
À escritora mineira, Daniela Arbex, meus agradecimentos por ter deixado para nós e para o seu filhinho Diego, um legado do jornalismo-denúncia, que ousadamente posso afirmar: já marcou a nossa história. Os prêmios que ela tem recebido falam por si.
E aos diferentes e frágeis emocionais, continuo a dedicar minhas reflexões, meu tempo, minha fé e minha certeza de que um dia, nós conseguiremos ser tão insanamente felizes e livres como vocês são.

Fonte: Site http://genialmentelouco.com.br

ASSISTA AO DOCUMENTÁRIO COMPLETO SOBRE O "HOLOCAUSTO BRASILEIRO (2016).


Publicado no You Tube em 21 de fev de 2017

Este documentário lançado em 2016 - dirigido por Daniela Arbex e Armando Mendz e baseado no livro homônimo de Daniela Arbex - mostra o genocídio que aconteceu no Hospital Colônia em Barbacena (MG) enquanto discute questões atinentes ao papel dos manicômios.

"Dentre todas as violências possíveis, a omissão talvez seja a forma mais perturbadora, porque é silenciosa e permite que os estragos perdurem por anos. Só a omissão foi capaz de permitir que 60 mil brasileiros morressem dentro do Hospital Colônia, em Barbacena (MG). Um genocídio no maior hospício do Brasil.

A história transformada em memória mostra os horrores de experiências recentes de segregação, como o Apartheid e o Holocausto. Um ser humano definindo o direito de vida de outro ser humano. Milhões de vítimas e um legado de perplexidade permanente: Do que somos capazes de fazer quando temos poder?

Na tragédia brasileira de Barbacena, os pacientes internados à força foram submetidos ao frio, à fome e a doenças. Foram torturados, violentados e mortos. Seus cadáveres foram vendidos para faculdades de medicina, e as ossadas comercializadas." Revista EXAME


Auschwitz II-Birkenau / O inferno na Terra


Por Fernanda Esteves, publicado em 07.06.2017


Mesmo entre os prisioneiros, a crueldade em Auschwitz um e dois, na Polônia ocupada pelos nazistas, parecia inacreditável. Sempre restava alguma esperança, destruída junto com todos os vestígios de dignidade humana logo após a chegada aos campos. Os soldados da SS – a tropa de Adolf Hitler – só recebiam os prisioneiros com sorrisos, e até flores, para evitar um estouro desesperado da boiada. A ideia era manter a calma e regar a esperança com algumas gotas de simpatia. Mas, ao sinal de qualquer resistência, os SS mostravam o quanto eram violentos. Violência, um projeto bárbaro de extermínio humano, o campo de concentração e extermínio Auschwitz II-Birkenau foi chamado de “a solução final para a questão judia” e levou ao Inferno, não só judeus, mas milhares de pessoas de outras crenças e de várias nacionalidades. Não me proponho a exibir um documentário, é apenas uma visita turística repassada aos que não podem ir até lá. Repito: nenhum vídeo substitui uma visita presencial.

ASSISTA AO DOCUMENTÁRIO SOBRE AUSCHWITZ E II-BIRKENAU.


Vídeo narrado sobre o maior e mais cruel campo de concentração e de extermino nazista.


Fonte: http://oquesepassa.com.br

segunda-feira, 19 de junho de 2017

A luta de resistência de Olga Benario.

Documentos da Gestapo liberados agora permitem a Anita Leocadia Prestes remontar últimos dias da vida de sua mãe.

Família Prestes
Anita se encontra com o pai, Luiz Carlos Prestes, cujas cartas para Olga eram censuradas.

Nascida em 27 de novembro de 1936 na prisão alemã de Barnimstrasse e arrancada dos braços da mãe 14 meses depois, Anita Leocadia Prestes surpreendeu-se ao encontrar, dois anos atrás, uma lista com cerca de 2 mil folhas digitalizadas da Gestapo, a polícia secreta de Adolf Hitler.
Organizada em oito dossiês com o nome “Processo Benario”, a documentação revela em detalhes nunca antes descritos a perseguição do regime nazista à sua mãe, considerada uma “comunista inteligente e perigosa”.
A luta de resistência de Olga Benario, a companheira de Luiz Carlos Prestes, pode agora ser revista e aperfeiçoada. A comunista que não se dobrou ao nazismo dizia até o último momento ao aparato do terror alemão: “Se outros se tornaram traidores, eu jamais o serei”.
Em abril de 2015, boa parte dos chamados “documentos-troféus” (Trophäen-dokumente, em alemão) tornou-se pública. O acervo, com cerca de 2,5 milhões de folhas, que formam um conjunto de 28 mil dossiês, estava em mãos dos russos desde que soldados soviéticos apreenderam o material, após a derrota da Alemanha nazista em 1945.
Por 70 anos, esses documentos foram mantidos em segredo. Ao serem revelados, mostram que o “Processo Benario” compõe “talvez a coleção mais abrangente de documentos sobre uma única vítima do fascismo”, observa a filha de Olga e Luiz Carlos Prestes.
“Isso mostra como a Gestapo dava uma importância muito grande a ela. Há informes para (Heinrich) Himmler, que era o chefe supremo da SS (Schutztaffela organização paramilitar de proteção a Hitler) e depois foi mantenedor dos campos de concentração”, explica Anita.
“Ele era do alto escalão, diretamente ligado a Hitler, e estava interessado em saber os detalhes de como a Gestapo estava se comportando frente a Olga, o que estavam fazendo com ela.”
Anita
Os documentos-troféus, confiscados pelos soviéticos, mostram táticas de perseguição a comunistas
Um pesquisador alemão procurou a filha de Olga e Prestes para comentar sobre a abertura dos documentos-troféus. Como historiadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, hoje com 81 anos, aposentada e trabalhando em um livro de memória, Anita sabia que teria uma tarefa típica de um pesquisador.
Teria de catalogar em fichas tudo o que dizia respeito à sua mãe nos arquivos da Gestapo. Mas esta era uma tarefa familiar. Em 2001, ela e sua tia Lygia publicaram Anos Tormentosos (Paz e Terra), uma obra em três volumes com a correspondência trocada entre seu pai e sua mãe, além de outras cartas de Prestes para os familiares.
Os documentos, todos escritos em alemão, completam um quebra-cabeça antigo. O “Processo Benario”, revelado agora, forma uma imagem que Anos Tormentosos Olga, a famosa biografia de Fernando Morais publicada pela primeira vez em 1984 pela Editora Ômega e relançada pela Companhia das Letras dez anos depois, não puderam alcançar.
“O que foi novidade, e seria para minha tia também, é esse empenho todo que os alemães tinham para que ela falasse sobre o Comintern. E a intrepidez dela, a capacidade de resistir e até morrer e não falar o que eles gostariam de saber”, afirma a historiadora. 
Olga Benario e Luiz Carlos Prestes, o “Cavaleiro da Esperança”, tiveram uma relação amorosa fulminante. Em dezembro de 1934, os dois se conheceram em Moscou, ela a serviço da Internacional Comunista (o Comintern) e incumbida de cuidar da segurança dele. Para garantir a proteção ao comandante da Coluna Prestes, famosa mundialmente, os dois fingiram ser um casal.
Mas na viagem repleta de percalços de volta ao Brasil, em abril de 1935, acabaram se apaixonando e se tornaram marido e mulher. Do primeiro encontro até a prisão no Rio, em março de 1936, passaram-se um ano, três meses e vinte e dois dias. Ao ser presa, Olga estava grávida de um mês de Anita.
Procurada pelo Terceiro Reich, Olga Benario foi extraditada pelo governo brasileiro em 23 de setembro de 1936, aos sete meses de gravidez. Getúlio Vargas, à época, mantinha relações muito próximas com os nazistas. Para Anita, o ex-presidente deportou a mãe como forma de castigar Prestes. “Seria muito escandaloso submetê-lo à tortura física, como fez com outros. Então a forma de atingi-lo foi deportar minha mãe para a Alemanha.”
Submetida à “prisão preventiva”, expediente nazista para forçar pessoas a delatarem os companheiros, Olga ficou detida cerca de 2 mil dias em prisões alemãs. Foi submetida a torturas, castigos físicos e privações. Como ela não apresentava certidão de casamento, porque Olga e Prestes vieram ao Brasil como clandestinos, o governo alemão alegava que ela não tinha cidadania brasileira. 
Nesse período, uma campanha internacional lutava pela libertação de Olga. Era articulada por Leocadia e Lygia Prestes, mãe e irmã de Luiz Carlos Prestes, respectivamente. Essa rede de apoiadores foi fundamental para assegurar a troca de correspondências entre marido e mulher, ambos presos, e depois a sobrevivência do bebê e da menina Anita. Como a Gestapo exigia que todas as cartas fossem escritas em alemão, os apoiadores se revezavam para traduzi-las.
Prestes e Olga
Prestes e Olga, no dia de sua prisão
Em dezembro de 1937, um memorando da Polícia Secreta de Estado alemã, encaminhado a Himmler, já indicava que Olga seria enviada a um campo de concentração. A máquina do Terceiro Reich esperava apenas o tempo para que Anita pudesse ser tirada dos cuidados da mãe, o que veio a acontecer em 21 de janeiro do ano seguinte.
Olga não pôde se despedir da filha. “Considerando sua astúcia política e que não se tratava de alguém confiável, podia-se supor que ela enviasse da prisão mensagem ao exterior nas vestimentas da criança”, justificou o diretor da prisão.
Um documento da Gestapo indica ainda que houve monitoramento de todos os movimentos de Leocadia, Lygia e o advogado que foram buscar Anita na prisão e a levaram a Berlim e depois a Paris. Já Olga passou por dois campos de concentração, o primeiro em Lichtenburg e, depois, o de Ravensbrück. As formas de comunicação foram se tornando cada vez mais escassas, espaçadas e até censuradas.
O nazismo impediu que o livro Iracema, de José de Alencar, fosse entregue a ela por descrever “a vida de luta de um combatente brasileiro pela liberdade e difama em grande medida a forma de governo ordeira”. Três países ofereceram asilo a Olga, negados pelos alemães.
Anita evita romancear a história de Olga. Prefere tomar de empréstimo as narrativas do biógrafo Fernando Morais e da escritora e jornalista Sarah Helm.
Nos campos de concentração, Olga foi impedida de se corresponder com Prestes ou qualquer outro familiar. Era a forma de obrigá-la a revelar algo sobre suas atividades no Comintern. Em suas cartas, que acabaram não chegando ao destino, ela questionava sobre Prestes, a filha aos cuidados da avó e da tia dele, e sobre o fim trágico que se aproximava.
“Anita deve poder ser criança de verdade e também ficar um pouco forte, pois quantos golpes e pancadas ainda a aguardam na vida; e quem sabe se estaremos presentes para protegê-la?”, escreveu ela ao marido.
A mãe jamais voltaria a ver a filha. Um memorando de 30 de abril de 1942, do Escritório Central de Segurança do Reich, chamava de falecimento por “insuficiência cardíaca por oclusão intestinal e peritonite” o assassinato de Olga Benario. Prestes e a família só souberam da morte dela em 1945. E Anita, algum tempo depois.
Por volta dos 5 anos, no México, ela já sabia que seus pais estavam presos por serem comunistas e lutarem contra o fascismo. “É preciso mostrar nos dias de hoje o perigo da repetição do fascismo. É importante que as novas gerações conheçam esses revolucionários e se inspirem nessas lutas, inclusive para resistir à reação que está aí hoje”, afirma. 
Elaborada por Eduardo Nunomura — publicado 17/06/2017 e modificação feita pelo autor em 14/06/2017.
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Os 12 Patrimônios Culturais da Humanidade que ficam no Brasil.

Construções históricas e até uma cidade inteira estão na lista de patrimônios tombados pela Unesco.

País tropical também é terra de cultura! Em sua rica história, o Brasil carrega registros arqueológicos, ruínas e construções que impressionam não só pela beleza como pela importância cultural e social, que nos leva a entender o Brasil de hoje.
Abaixo, você vê a lista completa dos 12 Patrimônios Históricos e Culturais da Humanidade brasileiros que foram tombados pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco)

1. Centro Histórico de Ouro Preto (MG)
<strong>Centro Histórico de <a href="http://viajeaqui.abril.com.br/cidades/br-mg-ouro-preto" target="_blank">Ouro Preto</a>, <a href="http://viajeaqui.abril.com.br/estados/br-minas-gerais" target="_blank">Minas Gerais</a></strong> Foi aqui, na antiga Vila Rica, que o episódio da Inconfidência Mineira, uma conspiração fracassada de independência da Coroa Portuguesa, aconteceu. Ouro Preto, erguida no século 17, foi tombada em 1980. Seu bom estado de preservação conta histórias do período da ascenção da exploração do ouro no estado. E as esculturas barrocas de Aleijadinho, o maior artista do Brasil colonial, combinadas com as  pinturas de Manuel da Costa Athaide, dão à cidade uma importância artística que só poderia resultar em seu tombamento pela Unesco
Centro Histórico de Ouro PretoMinas Gerais Foi aqui, na antiga Vila Rica, que o episódio da Inconfidência Mineira, uma conspiração fracassada de independência da Coroa Portuguesa, aconteceu. Ouro Preto, erguida no século 17, foi tombada em 1980. Seu bom estado de preservação conta histórias do período da ascenção da exploração do ouro no estado. E as esculturas barrocas de Aleijadinho, o maior artista do Brasil colonial, combinadas com as  pinturas de Manuel da Costa Athaide, dão à cidade uma importância artística que só poderia resultar em seu tombamento pela Unesco.
2. Centro Histórico de Olinda (PE)
<strong>Centro Histórico de <a href="http://viajeaqui.abril.com.br/cidades/br-pe-olinda" target="_blank">Olinda</a>, <a href="http://viajeaqui.abril.com.br/estados/br-pernambuco" target="_blank">Pernambuco</a></strong> Erguida pelos portugueses em 1535 no alto de morros que dão uma visão estratégica para o Oceano Atlântico e para o porto, Olinda foi um importante entreposto na época da exploração da cana-de-açúcar - época que durou quase dois séculos. Suas ruelas pontilhadas por casinhas com fachadas coloridas vão dar no ponto mais alto da cidade - a Catedral Alto da Sé, de onde se vê todo o arredor e de onde pode-se partir para mais uma incursão pelos jardins dos conventos, pelas capelinhas e pelas igrejas espalhadas por toda a cidade
Centro Histórico de OlindaPernambuco Erguida pelos portugueses em 1535 no alto de morros que dão uma visão estratégica para o Oceano Atlântico e para o porto, Olinda foi um importante entreposto na época da exploração da cana-de-açúcar - época que durou quase dois séculos. Suas ruelas pontilhadas por casinhas com fachadas coloridas vão dar no ponto mais alto da cidade - a Catedral Alto da Sé, de onde se vê todo o arredor e de onde pode-se partir para mais uma incursão pelos jardins dos conventos, pelas capelinhas e pelas igrejas espalhadas por toda a cidade
3. Ruínas de São Miguel das Missões (RS)
<strong>Ruínas de <a href="http://viajeaqui.abril.com.br/cidades/br-rs-sao-miguel-das-missoes" target="_blank">São Miguel das Missões</a>, <a href="http://viajeaqui.abril.com.br/estados/br-rio-grande-do-sul" target="_blank">Rio Grande do Sul</a></strong> Erguidas pelos padres jesuítas em território pertencentes aos índios Guaranis entre os séculos 17 e 18, as construções serviam como pólos catequizadores das pessoas que moravam aqui antes da chegada dos portugueses. Tombadas pela Unesco em 1983, as ruínas das missões jesuísticas constituem-se em um conjunto arquitetônico espalhado entre o sul do Brasil e a Argentina – ali, viveu uma comunidade de indígenas que adquiriu conhecimentos tecnológicos, graças às interações com os jesuítas, e que resistiu à posterior invasão portuguesa, mas foi massacrada pelos invasores. Quatro ruínas ficam do lado argentino, e no lado brasileiro, restou a de São Miguel das Missões
Ruínas de São Miguel das MissõesRio Grande do Sul Erguidas pelos padres jesuítas em território pertencentes aos índios Guaranis entre os séculos 17 e 18, as construções serviam como pólos catequizadores das pessoas que moravam aqui antes da chegada dos portugueses. Tombadas pela Unesco em 1983, as ruínas das missões jesuísticas constituem-se em um conjunto arquitetônico espalhado entre o sul do Brasil e a Argentina – ali, viveu uma comunidade de indígenas que adquiriu conhecimentos tecnológicos, graças às interações com os jesuítas, e que resistiu à posterior invasão portuguesa, mas foi massacrada pelos invasores. Quatro ruínas ficam do lado argentino, e no lado brasileiro, restou a de São Miguel das Missões.
4. Centro Histórico de Salvador (BA)
<strong>Centro Histórico de <a href="http://viajeaqui.abril.com.br/cidades/br-ba-salvador" target="_blank">Salvador</a>, <a href="http://viajeaqui.abril.com.br/estados/br-bahia" target="_blank">Bahia</a></strong> Os prédios coloridos do centro histórico da primeira capital do Brasil foram tombados como Patrimônio Cultural da Humanidade em 1985, por serem célebres representantes da arquitetura renascentista. Outro critério para o tombamento, segundo a Unesco, foi a importância histórica da cidade como um ponto de conversão entre as culturas dos europeus, dos africanos e dos indígenas brasileiros, o que evidencia a história de exploração por parte dos brancos sobre as outras sociedades. Esse critério também foi usado para tombar outras cidades marcadas por histórias de exploração, como <a href="http://viajeaqui.abril.com.br/cidades/cuba-havana" target="_blank">Havana</a> e <a href="http://viajeaqui.abril.com.br/cidades/colombia-cartagena" target="_blank">Cartagena</a>
Centro Histórico de SalvadorBahia Os prédios coloridos do centro histórico da primeira capital do Brasil foram tombados como Patrimônio Cultural da Humanidade em 1985, por serem célebres representantes da arquitetura renascentista. Outro critério para o tombamento, segundo a Unesco, foi a importância histórica da cidade como um ponto de conversão entre as culturas dos europeus, dos africanos e dos indígenas brasileiros, o que evidencia a história de exploração por parte dos brancos sobre as outras sociedades. Esse critério também foi usado para tombar outras cidades marcadas por histórias de exploração, como Havana e Cartagena.
5. Santuário de Bom Jesus de Matosinhos em Congonhas (MG)
<strong><a href="http://viajeaqui.abril.com.br/estabelecimentos/br-mg-congonhas-atracao-basilica-do-senhor-bom-jesus-de-matosinhos" target="_blank">Santuário de Bom Jesus de Matosinhos</a> em <a href="http://viajeaqui.abril.com.br/cidades/br-mg-congonhas" target="_blank">Congonhas</a>, <a href="http://viajeaqui.abril.com.br/estados/br-minas-gerais" target="_blank">Minas Gerais</a></strong> Se um dos fatores que fez <a href="http://viajeaqui.abril.com.br/cidades/br-mg-ouro-preto" target="_blank">Ouro Preto</a> tornar-se Patrimônio da Humanidade foi a obra de Aleijadinho, presente em quase toda igreja da cidade mineira, imagine uma construção repleta de obras do maior artista barroco brasileiro. É claro que o Santuário de Congonhas entraria na lista da Unesco. Construído na segunda metade do século 18, o Santuário de Bom Jesus de Matosinhos tem um interior inspirado no rococó italiano, sete capelas que ilustram a Via Crucis e uma escadaria exterior decorada com estátuas dos profetas católicos. Feitas em pedra-sabão, as estátuas são legítimas representantes da arte de Aleijadinho – um barroco muito mais latinoamericano, e por isso mesmo, mais original
Santuário de Bom Jesus de Matosinhos em CongonhasMinas Gerais Se um dos fatores que fez Ouro Preto tornar-se Patrimônio da Humanidade foi a obra de Aleijadinho, presente em quase toda igreja da cidade mineira, imagine uma construção repleta de obras do maior artista barroco brasileiro. É claro que o Santuário de Congonhas entraria na lista da Unesco. Construído na segunda metade do século 18, o Santuário de Bom Jesus de Matosinhos tem um interior inspirado no rococó italiano, sete capelas que ilustram a Via Crucis e uma escadaria exterior decorada com estátuas dos profetas católicos. Feitas em pedra-sabão, as estátuas são legítimas representantes da arte de Aleijadinho – um barroco muito mais latino americano, e por isso mesmo, mais original.
6. Brasília (DF)
<strong><a href="http://viajeaqui.abril.com.br/cidades/br-df-brasilia" target="_blank">Brasília</a>, <a href="http://viajeaqui.abril.com.br/estados/br-distrito-federal" target="_blank">Distrito Federal</a></strong> Tombada como Patrimônio Cultural da Humanidade em 1987, a cidade é, segundo a Unesco, um divisor de águas na história do planejamento urbano. Esse "exemplo definitivo de ubarnismo modernista do século 20" foi fundado em 21 de abril de 1960, tem o plano piloto idealizado por Lucio Costa e os edifícios arquitetados por Oscar Niemeyer. A ideia do presidente da época, Juscelino Kubitschek, era de criar do zero uma nova capital para o Brasil, e transferir os três poderes da República para aquele pedaço de planalto no meio do cerrado brasileiro. O planejamento urbanístico de Lúcio Costa previa 500 mil habitantes no ano 2000, mas a cidade hoje comporta mais de 2 milhões de habitantes - o que a deixa com sérios problemas, como de trânsito carregado e alto custo de vida - e, além disso, gerou uma criação de cidades-satélites ao redor da capital, construídas sem planejamento urbano e que hoje apresentam altos índices de violência
BrasíliaDistrito Federal Tombada como Patrimônio Cultural da Humanidade em 1987, a cidade é, segundo a Unesco, um divisor de águas na história do planejamento urbano. Esse "exemplo definitivo de ubarnismo modernista do século 20" foi fundado em 21 de abril de 1960, tem o plano piloto idealizado por Lucio Costa e os edifícios arquitetados por Oscar Niemeyer. A ideia do presidente da época, Juscelino Kubitschek, era de criar do zero uma nova capital para o Brasil, e transferir os três poderes da República para aquele pedaço de planalto no meio do cerrado brasileiro. O planejamento urbanístico de Lúcio Costa previa 500 mil habitantes no ano 2000, mas a cidade hoje comporta mais de 2 milhões de habitantes - o que a deixa com sérios problemas, como de trânsito carregado e alto custo de vida - e, além disso, gerou uma criação de cidades-satélites ao redor da capital, construídas sem planejamento urbano e que hoje apresentam altos índices de violência.
7. Parque Nacional Serra da Capivara (PI)
<strong><a href="http://viajeaqui.abril.com.br/estabelecimentos/br-pi-serra-da-capivara-atracao-da-serra-da-capivara" target="_blank">Parque Nacional Serra da Capivara</a>, <a href="http://viajeaqui.abril.com.br/estados/br-piaui" target="_blank">Piauí</a></strong> Um dos sítios arqueológicos mais antigos da América do Sul, o Parque Nacional da Serra da Capivara é repleto de cavernas rochosas cobertas de pinturas rupestres (são mais de 300 pontos de interesse, espalhados numa área de 214 quilômetros de circunferência). Algumas pinturas foram feitas há mais de 25 mil anos e relatam a vida, os costumes, as lendas e a cultura do povo que originou a ocupação do continente Americano. Ele foi fundado em 1979, mas só ganhou o status de Patrimônio da Unesco em 1991
Parque Nacional Serra da CapivaraPiauí Um dos sítios arqueológicos mais antigos da América do Sul, o Parque Nacional da Serra da Capivara é repleto de cavernas rochosas cobertas de pinturas rupestres (são mais de 300 pontos de interesse, espalhados numa área de 214 quilômetros de circunferência). Algumas pinturas foram feitas há mais de 25 mil anos e relatam a vida, os costumes, as lendas e a cultura do povo que originou a ocupação do continente Americano. Ele foi fundado em 1979, mas só ganhou o status de Patrimônio da Unesco em 1991.
8. Centro Histórico de São Luís (MA)
<strong>Centro Histórico de <a href="http://viajeaqui.abril.com.br/cidades/br-ma-sao-luis" target="_blank">São Luís</a>, <a href="http://viajeaqui.abril.com.br/estados/br-maranhao" target="_blank">Maranhão</a></strong> A capital maranhense é uma mistura só: colonizada por franceses, ela também foi ocupada por holandeses antes da chegada definitiva do povo português. Datada do século 17, a cidade foi tombada em 1997 graças à preservação das ruas retangulares e da arquitetura colonial - uma herança da França. A cidade manteve-se preservada devido à estagnação econômica que sofreu no começo do século 20. Além disso, pode-se observar caminhando pelas ruas históricas a enorme coleção de azulejos portugueses, que enfeitam as fachadas e os interiores dos casarões antigos
Centro Histórico de São LuísMaranhão A capital maranhense é uma mistura só: colonizada por franceses, ela também foi ocupada por holandeses antes da chegada definitiva do povo português. Datada do século 17, a cidade foi tombada em 1997 graças à preservação das ruas retangulares e da arquitetura colonial - uma herança da França. A cidade manteve-se preservada devido à estagnação econômica que sofreu no começo do século 20. Além disso, pode-se observar caminhando pelas ruas históricas a enorme coleção de azulejos portugueses, que enfeitam as fachadas e os interiores dos casarões antigos.
9. Centro Histórico de Diamantina (MG)
<strong>Centro Histórico de <a href="http://viajeaqui.abril.com.br/cidades/br-mg-diamantina" target="_blank">Diamantina</a>, <a href="http://viajeaqui.abril.com.br/estados/br-minas-gerais" target="_blank">Minas Gerais</a></strong> Uma das cidades históricas mais peculiares do estado de Minas Gerais recebeu o título de Patrimônio da Unesco em 1999. Foi construída no século 18 em meio a montanhas rochosas, de difícil acesso - justamente porque estas montanhas estavam recheadas de diamantes. As construções são mais simples e, apesar de o barroco ainda ser o estilo arquitetônico, diferem-se muito do restante das ostensivas cidades históricas mineiras. As igrejas, por exemplo, parecem-se com as casas - e muitas delas têm apenas uma torre, como na foto. A cultura também tem características exclusivas, outro motivo para a cidade ter se tornado patrimônio pela Unesco
Centro Histórico de DiamantinaMinas Gerais Uma das cidades históricas mais peculiares do estado de Minas Gerais recebeu o título de Patrimônio da Unesco em 1999. Foi construída no século 18 em meio a montanhas rochosas, de difícil acesso - justamente porque estas montanhas estavam recheadas de diamantes. As construções são mais simples e, apesar de o barroco ainda ser o estilo arquitetônico, diferem-se muito do restante das ostensivas cidades históricas mineiras. As igrejas, por exemplo, parecem-se com as casas - e muitas delas têm apenas uma torre, como na foto. A cultura também tem características exclusivas, outro motivo para a cidade ter se tornado patrimônio pela Unesco.
10. Centro Histórico de Goiás (GO)
<strong>Centro Histórico da <a href="http://viajeaqui.abril.com.br/cidades/br-go-goias" target="_blank">Cidade de Goiás</a>, <a href="http://viajeaqui.abril.com.br/estados/br-goias" target="_blank">Goiás</a></strong> Construída no século 18 de maneira a respeitar a geografia local, Goiás Velho (como é chamada pelos mais íntimos - mas quem é íntimo mesmo chama a cidade de <em>Goiás Belo</em>) é um emaranhado gostoso de casinhas e igrejinhas em meio a ruas sinuosas, e quase nenhuma delas é plana. Rodeada pela Serra Dourada e cortada ao meio pelo Rio Vermelho, essa antiga capital do estado tornou-se Patrimônio da Unesco em 2001. A capacidade dos fundadores em erguer uma cidade em meio a montanhas, inspirados na arquitetura europeia, mas usando recursos locais, foi um dos motivos para a cidade ser tombada. Com a estagnação econômica que chegou com o fim do ouro e da escravidão, além da transferência da capital para <a href="http://viajeaqui.abril.com.br/cidades/br-go-goiania" target="_blank">Goiânia</a>, a cidade ficou um tanto esquecida. O "progresso" não chegou ali, e isso, no fim das contas, fez um bem danado para a antiga Vila Bôa de Goyaz
Centro Histórico da Cidade de GoiásGoiás Construída no século 18 de maneira a respeitar a geografia local, Goiás Velho (como é chamada pelos mais íntimos - mas quem é íntimo mesmo chama a cidade de Goiás Belo) é um emaranhado gostoso de casinhas e igrejinhas em meio a ruas sinuosas, e quase nenhuma delas é plana. Rodeada pela Serra Dourada e cortada ao meio pelo Rio Vermelho, essa antiga capital do estado tornou-se Patrimônio da Unesco em 2001. A capacidade dos fundadores em erguer uma cidade em meio a montanhas, inspirados na arquitetura europeia, mas usando recursos locais, foi um dos motivos para a cidade ser tombada. Com a estagnação econômica que chegou com o fim do ouro e da escravidão, além da transferência da capital para Goiânia, a cidade ficou um tanto esquecida. O "progresso" não chegou ali, e isso, no fim das contas, fez um bem danado para a antiga Vila Bôa de Goyaz.
11. Praça São Francisco em São Cristóvão (SE)
<strong>Praça São Francisco em <a href="http://viajeaqui.abril.com.br/cidades/br-se-sao-cristovao" target="_blank">São Cristóvão</a>, <a href="http://viajeaqui.abril.com.br/estados/br-sergipe" target="_blank">Sergipe</a></strong> Essa praça quadrada na pequena cidade de São Cristóvão, no interior do Sergipe, é um exemplo da arquitetura típica dos franciscanos, ordem religiosa que ajudou a colonizar o Nordeste brasileiro. Cercada por edifícios históricos como a Igreja de São Francisco, a Santa Casa de Misericórdia, o Palácio e as casas erguidas entre os séculos 18 e 19, a praça recebe desde os tempos remotos importantes manifestações culturais e sociais
Praça São Francisco em São CristóvãoSergipe Essa praça quadrada na pequena cidade de São Cristóvão, no interior do Sergipe, é um exemplo da arquitetura típica dos franciscanos, ordem religiosa que ajudou a colonizar o Nordeste brasileiro. Cercada por edifícios históricos como a Igreja de São Francisco, a Santa Casa de Misericórdia, o Palácio e as casas erguidas entre os séculos 18 e 19, a praça recebe desde os tempos remotos importantes manifestações culturais e sociais.
12. Paisagens Cariocas, Rio de Janeiro (RJ)
<strong>Paisagens Cariocas, <a href="http://viajeaqui.abril.com.br/cidades/br-rj-rio-de-janeiro" target="_blank">Rio de Janeiro</a></strong> Os atrativos naturais em conjunção com o urbanismo carioca fazem do Rio de Janeiro uma das cidades mais belas do planeta. Em 2012, a Unesco tombou as paisagens formadas entre o mar e as montanhas como Patrimônios Culturais da Humanidade. O <a href="http://viajeaqui.abril.com.br/estabelecimentos/br-rj-rio-de-janeiro-atracao-parque-nacional-da-tijuca" target="_blank">Parque Nacional da Tijuca</a>, o <a href="http://viajeaqui.abril.com.br/estabelecimentos/br-rj-rio-de-janeiro-atracao-jardim-botanico" target="_blank">Jardim Botânico</a>, o <a href="http://viajeaqui.abril.com.br/estabelecimentos/br-rj-rio-de-janeiro-atracao-cristo-redentor-corcovado" target="_blank">Corcovado</a> (com a estátua do Cristo Redentor), a praia de <a href="http://viajeaqui.abril.com.br/estabelecimentos/br-rj-rio-de-janeiro-atracao-praia-de-copacabana" target="_blank">Copacabana</a>, o aterro do Flamengo e as colinas que cercam a Baía de Guanabara fazem parte da lista de intocáveis. O "conjunto da obra" rende ao Rio o status de uma das cidades mais mencionadas na arte, na literatura, na música e na poesia brasileiras - um dos fatores que fez a Unesco incluir a cidade no rol dos patrimônios mundiais
Paisagens Cariocas, Rio de Janeiro Os atrativos naturais em conjunção com o urbanismo carioca fazem do Rio de Janeiro uma das cidades mais belas do planeta. Em 2012, a Unesco tombou as paisagens formadas entre o mar e as montanhas como Patrimônios Culturais da Humanidade. O Parque Nacional da Tijuca, o Jardim Botânico, o Corcovado (com a estátua do Cristo Redentor), a praia de Copacabana, o aterro do Flamengo e as colinas que cercam a Baía de Guanabara fazem parte da lista de intocáveis. O "conjunto da obra" rende ao Rio o status de uma das cidades mais mencionadas na arte, na literatura, na música e na poesia brasileiras - um dos fatores que fez a Unesco incluir a cidade no rol dos patrimônios mundiais.


HISTÓRIA DE PACOTI - CEARÁ

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